Cada vez mais empresas recontratam funcionários demitidos por conta da IA: substituição não gerou lucros

Aparentemente inteligência artificial foi superestimada

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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A inteligência artificial continua transformando o mercado de trabalho, mas um movimento inesperado começa a ganhar força: empresas que demitiram funcionários para substituí-los por IA estão voltando atrás e recontratando profissionais após perceberem que a automação não entregou os resultados esperados.

Muitas empresas recontratando após demissões em massa

Entre os exemplos recentes está a Ford, que anunciou a recontratação e promoção de mais de 350 engenheiros experientes. Segundo relatos, a empresa encontrou dificuldades porque muito do conhecimento acumulado por esses profissionais nunca havia sido documentado e, portanto, não fazia parte dos dados utilizados para treinar seus sistemas de IA. Isso acabou criando lacunas importantes na identificação e prevenção de problemas.

A situação não é isolada. O Commonwealth Bank of Australia também precisou reverter parte de sua estratégia depois de substituir mais de 40 atendentes por um assistente de voz baseado em inteligência artificial. A mudança resultou em um aumento nas ligações e piora na qualidade do atendimento, levando o banco a recontratar funcionários. Posteriormente, a instituição admitiu que não considerou adequadamente todos os impactos da decisão.

Outro caso é o da IBM. Após eliminar milhares de vagas em meio à expansão do uso de IA, a empresa anunciou que pretende triplicar a contratação para cargos de nível inicial voltados justamente para funções que exigem julgamento humano, interação com clientes e supervisão dos próprios sistemas de inteligência artificial.

A fintech Klarna também voltou a contratar pessoas depois de reconhecer que os resultados produzidos por seus sistemas de IA apresentavam qualidade inferior à esperada.

Empresas ainda reduzem suas equipes

Pesquisas recentes indicam que esses casos fazem parte de uma tendência mais ampla. Um levantamento da consultoria Orgvue mostrou que 39% dos líderes empresariais realizaram demissões motivadas pela adoção de IA, mas 55% deles afirmaram posteriormente que cometeram erros nessas decisões. Já dados da Robert Half apontam que 32% dos gestores de contratação nos Estados Unidos eliminaram cargos por causa da IA e depois precisaram preencher novamente a mesma função, ou uma muito semelhante.

Isso não significa que as demissões ligadas à inteligência artificial tenham acabado. Grandes empresas continuam reduzindo equipes enquanto ampliam investimentos em automação. 

No entanto, os casos recentes sugerem que muitas organizações podem ter superestimado a capacidade da IA de substituir completamente profissionais humanos, especialmente em atividades que dependem de experiência acumulada, tomada de decisão, criatividade e relacionamento com pessoas.

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