Dormir pouco pode fazer mais do que causar cansaço no dia seguinte. Um novo estudo sugere que reduzir o tempo de sono de forma contínua pode levar ao ganho de peso em poucas semanas, além de aumentar o tempo gasto em atividades sedentárias.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, indica que perder cerca de uma hora e meia de sono por noite durante seis semanas foi suficiente para provocar um ganho médio de aproximadamente 450 gramas nos participantes. Embora o aumento pareça pequeno, os pesquisadores alertam que o efeito pode se tornar significativo quando esse padrão é mantido por meses ou anos.
Dormir pouco afeta muito mais do que o cansaço
Há muito tempo os cientistas sabem que o sono é essencial para o bom funcionamento do organismo. Durante a noite, o corpo regula hormônios, fortalece o sistema imunológico e realiza diversos processos importantes para a saúde.
Segundo a principal autora do estudo, Marie-Pierre St-Onge, focar apenas em alimentação e exercícios físicos para controlar o peso pode ser uma estratégia incompleta.
"Nossos resultados mostram que dormir o suficiente também pode ajudar a reduzir o risco de ganho de peso e de doenças relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares", explica a pesquisadora.
Como funcionou o estudo?
Os pesquisadores acompanharam 95 adultos que normalmente dormiam entre sete e oito horas por noite.
Durante seis semanas, os participantes foram orientados a adiar o horário de dormir em cerca de 90 minutos, reduzindo o tempo total de sono para algo em torno de cinco a seis horas por noite. Em seguida, eles voltaram ao padrão habitual por mais seis semanas.
Ao longo do estudo, os cientistas monitoraram diversos indicadores, incluindo:
- Peso corporal
- Circunferência da cintura
- Composição corporal
- Hormônios relacionados à fome e à saciedade
- Níveis de atividade física
Ao final do período de restrição de sono, os participantes haviam ganhado, em média, cerca de 453 gramas. Além disso, passaram aproximadamente 17 minutos a mais por dia em comportamento sedentário. Entre homens e mulheres na pós-menopausa, esse aumento chegou perto de 30 minutos diários.
O risco pode aumentar com o tempo
O estudo buscou reproduzir um padrão muito comum na vida moderna: pessoas que dormem um pouco menos do que o recomendado durante semanas ou meses, e não casos extremos de privação de sono.
Segundo o pesquisador Faris Zuraikat, se esse comportamento for mantido por um ano inteiro, o ganho de peso pode se tornar clinicamente relevante.
Embora o estudo não tenha identificado exatamente todos os mecanismos envolvidos, pesquisas anteriores já mostram que dormir pouco pode alterar hormônios ligados ao apetite, aumentar a resistência à insulina e favorecer processos inflamatórios no organismo.
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