O Texas é o maior produtor de petróleo dos EUA, mas está investindo fortemente em energia renovável — especificamente na solar. O estado abriga a segunda maior usina fotovoltaica do país, com milhões de painéis espalhados por áreas de pastagem.
Essa indústria solar em expansão encontrou um aliado inesperado: as ovelhas. Dessa simbiose curiosa surgiu uma prática conhecida como "pastoreio solar" (solar grazing), que vem ganhando força rapidamente. A técnica também foi testada na Espanha. É uma situação vantajosa tanto para os criadores de ovelhas quanto para as empresas de energia.
Quando uma usina solar de 900 MW precisa de 3 mil ovelhas
Nos arredores de Austin, capital do Texas, fica o Orion Solar Belt, um empreendimento da SB Energy. Essa usina fotovoltaica ocupa 1.600 hectares de área rural e conta com 1,3 milhão de painéis solares, totalizando uma capacidade instalada de 900 MW. Ela gera cerca de 2 terawatts-hora de eletricidade por ano — o suficiente para abastecer centenas de milhares de residências.
JR Howard, um pecuarista local, vive perto dessa enorme usina solar, inaugurada em 2024 como a segunda maior dos EUA. A energia solar transformou sua vida; hoje, ele é proprietário da Texas Solar Sheep, empresa que fornece 3.500 ovelhas para a instalação. A SB Energy escolheu esses animais dóceis para cuidar do manejo da vegetação em sua vasta usina no Texas.
A empresa recorreu a essa solução sustentável para controlar o mato que cresce sob os milhões de painéis: em vez de usar roçadeiras e cortadores de grama movidos a gasolina, as ovelhas mantêm a vegetação aparada. Isso é fundamental para uma usina solar, pois o mato alto representa risco de incêndio em caso de falha elétrica, dificulta o acesso para manutenção dos painéis e pode danificar a fiação.
Energia solar e pecuária: uma parceria cada vez mais produtiva
Assim nasceu o pastoreio solar, uma prática que beneficia tanto as empresas de energia quanto os pecuaristas. As ovelhas são mais eficientes do que as máquinas de corte, alcançando cantos e frestas inacessíveis aos equipamentos. Elas pastam o ano todo, faça chuva ou faça sol.
Além disso, são uma opção mais econômica do que investir em maquinário ou contratar operadores para a tarefa. Essa prática deu um novo impulso ao setor pecuário, que enfrentava anos de queda na lucratividade da criação extensiva à medida que o mercado de lã encolhia.
Segundo a American Solar Grazing Association, essa técnica já é utilizada em 30 estados dos EUA, com mais de 500 instalações que empregam mais de 113.000 ovelhas para o manejo da vegetação.
Além dos EUA, esse método de manutenção sustentável também está sendo adotado em usinas fotovoltaicas. Na Espanha, um projeto coordenado pelo CICYTEX e pela Enel Green Power (subsidiária de energia renovável da Endesa) avaliou, ao longo de mais de dois anos, o uso de ovelhas para essa tarefa; o projeto-piloto foi lançado em 2023, e seus resultados foram apresentados no final do ano passado.
A iniciativa abrangeu mais de 200 usinas solares na Extremadura, cobrindo uma área de aproximadamente 19.400 hectares. A Iberdrola implementou um programa semelhante em Portugal, começando com um rebanho de 300 ovelhas.
Imagens | American Solar Grazing Association (ASGA), AgriSolar Clearinghouse
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