Astrofísicos surpresos: há algo no universo que não está exatamente certo

Ao comparar novas digitalizações 3D do universo com modelos existentes, os astrofísicos descobriram algo surpreendente que pode mudar a forma como vemos as principais condições na escuridão que envolve a Terra

Astrofísicos examinaram mais de perto a aparência do universo a bilhões de anos-luz da Terra. Lá, eles descobriram algumas estruturas verdadeiramente gigantescas
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Fabrício Mainenti

Redator

O universo é infinitamente grande, e ainda assim a maioria dos cientistas acredita que ele está se expandindo a uma taxa cada vez maior.

Até agora, a suposição era de que o universo tinha o mesmo tamanho, independentemente da direção para a qual olhássemos, e que diferentes aglomerados de galáxias eram muito semelhantes.

Mas agora, uma nova análise de dados sobre o universo questiona se as suposições dos cientistas sobre o espaço podem ser simplistas demais.

"As descobertas são interessantes porque abordam uma das premissas mais fundamentais da cosmologia moderna: a de que o universo, se observarmos em escalas suficientemente grandes, deve ser estatisticamente uniforme e ter a mesma aparência em todas as direções", explicam os pesquisadores da Itália e da Nova Zelândia em um e-mail para a Illustrert Vitenskap.

Mas a equipe viu algo um pouco diferente.

Os dados revelaram diversas estruturas e padrões diferentes que se estendem por milhões e bilhões de anos-luz, explicam Francesco Sylos Labini, do instituto de pesquisa Centro Ricerche Enrico Fermi, e Marco Galoppo, da Universidade de Canterbury, autores do estudo, em um e-mail para a Illustrert Vitenskap.

Os cálculos podem nos fazer pensar de forma diferente sobre partes do universo

Os dois pesquisadores analisaram dados de varreduras 3D do espaço, realizadas pelo instrumento DESI – o instrumento espectroscópico de energia escura – e descobriram algo surpreendente.

Ao comparar as estruturas obtidas por meio de varreduras com os modelos padrão nos quais os cálculos são atualmente baseados, eles descobriram uma discrepância. As estruturas em locais distantes do universo parecem ser maiores e diferentes, dependendo da direção para a qual se olha.

"Em outras palavras, as maiores estruturas do universo real parecem ser significativamente maiores do que o esperado nos modelos padrão de formação de galáxias", escrevem Francesco Sylos Labini e Marco Galoppo.

Mesmo que as novas análises refutem as teorias antigas, isso não significa necessariamente que elas devam ser descartadas. Antes de mais nada, as novas observações devem ser repetidas e testadas antes de serem usadas como uma nova explicação.

Porém, se um dia forem confirmadas, os pesquisadores acreditam que sua descoberta poderá ter um grande impacto em nossa compreensão da matéria escura, da gravidade e de como as estruturas cósmicas evoluem.

Seus cálculos foram publicados em um estudo na renomada revista científica Nature.

Imagem de capa | © Ficta Stock / Shutterstock

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