Países como a China transformaram as ferrovias em um dos pilares de seu crescimento econômico. No México, o governo da presidente Claudia Sheinbaum lançou um dos maiores programas ferroviários da história recente do país: a construção de mais de 3 mil quilômetros de novas linhas de passageiros até 2030.
México quer reconstruir uma rede ferroviária praticamente do zero
Até a década de 1990, o México mantinha uma rede razoável de transporte ferroviário de passageiros. Com a privatização das ferrovias, concessões passaram a priorizar o transporte de cargas. Por isso, trens de passageiros praticamente desapareceram do país.
Agora, o projeto prevê a implantação de novas linhas ligando regiões metropolitanas que concentram milhões de habitantes, mas que hoje dependem quase exclusivamente do transporte rodoviário.
Entre os principais corredores previstos estão as ligações entre Cidade do México e Querétaro, Pachuca, Guadalajara, Monterrey, Saltillo e Nuevo Laredo. A proposta é atender trajetos considerados longos demais para o carro e curtos demais para justificar viagens aéreas.
El Insurgente serve como vitrine para o novo projeto
Parte da estratégia já pode ser observada no El Insurgente, trem que liga a Cidade do México a Toluca. O percurso entre as duas cidades, separadas por cerca de 60 km, pode levar várias horas de carro devido aos congestionamentos da região metropolitana.
Pelo trem, a viagem é feita em aproximadamente uma hora, com tarifa inferior a seis dólares. A expectativa é que novas conexões reduzam o tempo de deslocamento diário de milhões de pessoas, além de diminuir congestionamentos e emissões de poluentes.
Trem El Insurgente contecta Cidade do México a Tolouca em menos de 1 hora. Foto: Shutterstock
Estratégia lembra expansão ferroviária realizada pela China
Embora o governo mexicano não copie diretamente o modelo chinês, a estratégia segue uma lógica semelhante: utilizar grandes investimentos em infraestrutura ferroviária para estimular o desenvolvimento econômico e integrar diferentes regiões do país.
Nas últimas duas décadas, a China construiu a maior rede de trens de alta velocidade do mundo, transformando o transporte ferroviário em um dos principais eixos de sua logística nacional.
No caso mexicano, a proposta é mais modesta em velocidade, mas igualmente ambiciosa. Segundo analistas ouvidos pela The Economist, poucos países iniciaram um programa ferroviário dessa dimensão praticamente partindo do zero.
Além disso, muitas das novas linhas deverão ser construídas paralelamente às atuais ferrovias de carga. Como essas faixas de domínio já existem, o governo espera reduzir custos com desapropriações e acelerar as obras.
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