A vida de quem tem intolerância à lactose não é nada fácil. Antes mesmo de consumir um pedaço de queijo, um sorvete ou qualquer outro alimento que contém leite, muitas pessoas precisam tomar comprimidos de lactase para evitar sintomas como gases, cólicas e inchaço abdominal. Mas está surgindo uma nova tecnologia que pretende tornar esse processo mais simples: um adesivo que libera a enzima pela pele durante até 12 horas. No entanto, embora a proposta tenha deixado muita gente animada, especialistas alertam que ainda faltam estudos clínicos capazes de comprovar sua eficácia e segurança.
Intolerância à lactose: por que o organismo deixa de digerir alimentos com leite?
Conviver com a intolerância à lactose significa lidar com uma dificuldade do organismo em digerir o açúcar presente no leite e em seus derivados. Isso acontece porque o corpo produz pouca ou nenhuma lactase, enzima responsável por quebrar a lactose em moléculas menores para que possam ser absorvidas pelo intestino. Sem essa digestão necessária, a lactose segue para o intestino grosso, onde é fermentada pelas bactérias da microbiota. É esse processo que provoca os sintomas mais conhecidos da condição. Entre os principais sinais da intolerância à lactose estão:
- Gases;
- Distensão abdominal;
- Cólicas;
- Diarreia;
- Náuseas;
- Desconforto após consumir leite e derivados.
A deficiência da enzima lactase faz com que alimentos ricos em lactose provoquem sintomas como gases, cólicas e inchaço abdominal.
A deficiência de lactase pode surgir por diferentes motivos, incluindo fatores genéticos, envelhecimento natural, doenças intestinais ou infecções. Estima-se que cerca de 65% da população mundial apresente algum grau de intolerância à lactose, sendo uma das condições digestivas mais comuns no mundo.
O diagnóstico deve ser feito por um médico, geralmente um gastroenterologista, que pode solicitar exames específicos, como o teste de tolerância à lactose ou testes genéticos. O tratamento envolve a redução do consumo de alimentos com lactose e o uso de suplementos de lactase antes das refeições quando necessário.
Adesivo promete liberar lactase por até 12 horas, mas especialistas ainda pedem cautela
Esquecer de tomar a lactase antes de comer uma pizza ou um sorvete pode significar horas de desconforto para quem tem intolerância à lactose. Mas o Dear Dairy, apresentado como o primeiro adesivo para intolerantes à lactose, veio justamente para tentar resolver esse problema. Em vez de comprimidos, a proposta é usar um adesivo na pele que libera a enzima gradualmente por até 12 horas. Basta aplicar o adesivo sobre a pele para que ele começe a liberar gradualmente cerca de 2,5 miligramas de lactase.
Segundo a fabricante, essa liberação contínua permite que as pessoas consigam ingerir alimentos com leite sem a necessidade de tomar o suplemento a cada refeição. Relatos divulgados pela empresa e por avaliações indicaram resultados positivos em algums pessoas, que não apresentaram sintomas após ingerir produtos lácteos durante o período de uso.
Menos comprimidos, mais dúvidas: o que a ciência diz sobre o novo adesivo de lactase
Especialistas destacam que os suplementos utilizados hoje funcionam porque liberam a enzima diretamente no sistema digestivo, exatamente onde a lactose será quebrada. Já no caso do adesivo, ainda não há comprovação científica forte de que a lactase consiga atravessar a pele, permanecer ativa na circulação e chegar ao intestino em quantidade suficiente para exercer sua função.
Por isso, embora a noticia tenha empolgado muita gente, médicos afirmam que ainda são necessários estudos clínicos de maior porte para confirmar a eficácia da tecnologia e definir para quais pacientes ela realmente poderá ser indicada. Enquanto essas evidências não são publicadas, os comprimidos de lactase continuam sendo a alternativa mais segura e recomendada para quem precisa controlar os sintomas da intolerância à lactose.
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