Pare de realizar esses procedimentos: as 3 rotinas médicas que idosos com mais de 75 anos precisam abandonar

Estudos mostram que alguns exames e tratamentos comuns na terceira idade podem trazer mais riscos do que benefícios — e especialistas já começam a rever práticas médicas consideradas automáticas após os 75 anos

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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Pacientes com idade avançada sempre requerem mais cautela no atendimento médico. Isso porque, depois dos 75 anos, muitos exames e tratamentos considerados “de rotina” começam a apresentar riscos que podem superar os benefícios. Pesquisadores e médicos têm revisitado práticas comuns da medicina moderna e descoberto que alguns procedimentos talvez estejam sendo feitos em excesso em idosos. Colonoscopias repetidas, tratamentos para alterações leves da tireoide e a remoção de manchas na pele são alguns exemplos. A seguir, confira por que tais procedimentos são considerados desnecessários para essa idade.

1) Nem toda mancha na pele precisa ser removida

Com o envelhecimento, é comum o aparecimento de pequenas manchas ásperas e avermelhadas causadas pela exposição solar ao longo da vida. Essas lesões, chamadas de queratoses actínicas, costumam surgir no rosto, couro cabeludo, braços e mãos de pessoas idosas. Durante muitos anos, o procedimento comum da medicina era remover essas manchas, principalmente por medo de evolução para câncer de pele. O problema é que alguns médicos vêm questionando essa prática.

Um artigo publicado no JAMA Internal Medicine defende que, em muitos casos, o monitoramento contínuo pode ser mais eficiente do que a remoção das lesões. Os pesquisadores apontam que a chance média de uma queratose actínica evoluir para câncer de pele é extremamente baixa, inferior a 1 em 1.000 em pacientes sem histórico prévio da doença. 

Além disso, os tratamentos utilizados, como congelamento com nitrogênio, laser e cremes específicos, podem ser dolorosos, causar irritação intensa e deixar marcas permanentes na pele. É por isso que, para muitos especialistas, acompanhar as lesões periodicamente pode ser mais eficiente do que removê-las. Além disso, é importante observar alguns sinais que indicam alerta, como crescimento rápido, sangramento ou dor.

2) O remédio para tireoide talvez não precise durar para sempre

Outro tratamento que passou a ser questionado envolve o uso da levotiroxina, medicamento amplamente utilizado para tratar alterações na tireoide. O remédio costuma ser receitado quando a glândula não produz hormônios suficientes, causando sintomas como cansaço, ganho de peso e ressecamento da pele. Porém, nos últimos anos, médicos passaram a prescrever o medicamento também para quadros mais leves e limítrofes, conhecidos como hipotireoidismo subclínico. O detalhe é que muitos idosos com essa condição podem apresentar normalização hormonal espontânea ao longo do tempo.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, mostrou que muitos pacientes acima dos 60 anos conseguiram manter a função tireoidiana normal mesmo após a interrupção gradual do medicamento. Além disso, outras pesquisas sobre o tema já haviam apontado que, em muitos casos, a levotiroxina não trouxe melhora perceptível nos sintomas em idosos. O tratamento ainda exige exames frequentes, acompanhamento constante e pode causar efeitos colaterais importantes quando usado em excesso, como arritmias cardíacas e perda óssea. Por isso, especialistas começaram a testar protocolos de retirada gradual do medicamento. 

3) Colonoscopias repetidas podem trazer mais riscos do que benefícios

A colonoscopia é considerada um dos exames mais importantes para prevenção do câncer colorretal. Mas, depois dos 75 anos, ela pode não ser tão necessária assim. Pelo menos é isso que indica um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open, que analisou quase 92 mil pacientes idosos do sistema de saúde dos veteranos dos Estados Unidos. 

Os pesquisadores descobriram que, apesar da identificação de pólipos em parte dos pacientes, a diferença na mortalidade por câncer colorretal foi mínima entre aqueles que continuaram realizando o exame e os que não apresentavam alterações relevantes. Outras pesquisas indicam que os benefícios do rastreamento passam a ser muito menores nessa idade, especialmente em pacientes que já fizeram exames anteriores e não apresentam fatores de risco relevantes. Em contrapartida, os riscos do exame aumentam consideravelmente.

O procedimento pode causar sangramentos, complicações relacionadas à anestesia e perfurações no intestino, riscos que se tornam mais frequentes em idosos. Outro ponto importante é que muitos pólipos encontrados em colonoscopias dificilmente evoluirão para câncer ao longo da vida do paciente. Ou seja: em muitos casos, o exame detecta alterações que provavelmente nunca causariam problemas reais.

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