O cacau é um tesouro para a indústria de alimentos, mas está ficando caro demais para continuar sendo utilizado apenas em barras de chocolate. Depois da forte alta nos preços da matéria-prima em 2024 e da instabilidade nas vendas de doces, empresas do setor passaram a ampliar o uso do cacau para além do chocolate, incorporando seu sabor e suas características a bebidas, sorvetes, pães, snacks e produtos de nutrição. A estratégia permite atender consumidores que continuam procurando o gosto de chocolate, mas podem pensar duas vezes antes de comprar uma barra mais cara. Com isso, o futuro do mercado pode estar menos no chocolate propriamente dito e mais na transformação do uso do cacau.
O cacau está caro, mas a indústria encontrou uma forma de manter o sabor do chocolate
A mudança de estratégia acontece em um momento delicado para a indústria do cacau. O aumento dos preços da matéria-prima elevou os custos de produção e pressionou fabricantes de chocolate a encontrar maneiras de usar menos cacau sem abandonar completamente o sabor que os consumidores procuram. Nos Estados Unidos, as vendas unitárias de doces de chocolate caíram cerca de 4% nos 12 meses encerrados em julho de 2026. No mesmo período, porém, os alimentos relacionados à dieta e nutrição avançaram 9%, incluindo shakes e pós com sabor de chocolate. É aí que outras categorias começam a ganhar importância, com o cacau aparecendo em produtos como:
- Bebidas com sabor de chocolate
- Sorvetes e gelatos
- Pães, croissants e produtos de panificação
- Barras de proteína e snacks
- Shakes e produtos de nutrição
A estratégia se baseia em uma ideia simples: se o consumidor ainda quer chocolate, mas o preço de uma barra pesa no bolso, as empresas podem oferecer o sabor do chocolate em produtos que utilizam o cacau de maneira diferente.
Do chocolate ao pão: o cacau está conquistando novos mercados
A diversificação também interessa aos grandes processadores. A Barry Callebaut, a maior fabricante mundial de produtos de cacau e chocolate, vem ampliando sua presença em categorias como sorvetes e panificação. A estratégia ajuda a reduzir a dependência de um único mercado e já contribuiu para a recuperação dos volumes vendidos pela companhia depois de mais de dois anos de queda.
Mas existe uma diferença importante dentro do próprio cacau. O cacau em pó, usado principalmente para fornecer cor e sabor, apresentou maior estabilidade de preços nos últimos dois anos do que a manteiga de cacau, que desempenha papel importante na textura do chocolate. Essa diferença cria oportunidades para que fabricantes reformulem produtos e procurem maneiras de preservar a experiência de consumir chocolate sem necessariamente utilizar a mesma quantidade de derivados tradicionais.
Enquanto os preços do cacau permanecem pressionados e as condições climáticas nas principais regiões produtoras, especialmente na África Ocidental, continuam gerando preocupação com a oferta, essa diversificação pode se tornar cada vez mais importante. A estratégia, portanto, não é abandonar o chocolate, mas encontrar novas formas de vender seu sabor. O cacau começa a aparecer também em bebidas, pães, sorvetes e produtos de nutrição, mantendo o chocolate presente mesmo quando o preço é alto.
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