Astrônomos são incapazes de identificar este objeto — eles só sabem que ele se move a 2 milhões de km/h e tenta sair da nossa galáxia

Pesquisadores tentam entender o que está acontecendo com o CWISE J1249+3621 e como ele atingiu uma velocidade tão assombrosa

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Bárbara Castro

Redatora

Pesquisadores tentam entender o que está acontecendo com o CWISE J1249+3621 e como ele conseguiu atingir uma velocidade tão assombrosa.

O que é o CWISE J1249+3621?

De tempos em tempos, o universo nos surpreende com fenômenos fora do comum: estrelas misteriosas, rajadas rápidas de rádio intrigantes e corpos celestes que desafiam as explicações científicas atuais. É exatamente o que acontece agora com um corpo estelar rebelde — provavelmente uma "estrela fracassada" — que corta a Via Láctea a cerca de 1,9 milhão de quilômetros por hora.

O protagonista desse mistério atende pelo nome técnico de CWISE J1249+3621. Localizado a aproximadamente 400 anos-luz da Terra, sua massa equivale a cerca de 8% da massa do Sol (ou 80 vezes a de Júpiter). Esse porte o coloca em uma fronteira tênue entre uma estrela convencional e uma anã marrom — objetos fascinantes apelidados de "estrelas fracassadas" por não acumularem matéria suficiente para sustentar a fusão nuclear do hidrogênio em seus núcleos. O objeto foi descoberto por voluntários e astrônomos do projeto de ciência cidadã "Backyard Worlds: Planet 9", que examina dados do telescópio espacial WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer), da NASA, em busca de corpos frios e em movimento perto do Sistema Solar.

Uma velocidade vertiginosa

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Como detalhou Adam Burgasser, astrofísico e líder do estudo na Universidade da Califórnia em San Diego, o astro viaja a uma velocidade tão extrema que possui energia suficiente para escapar da gravidade da Via Láctea. "Ele se junta a um seleto grupo de estrelas 'hipervelozes' descobertas nas últimas décadas. A diferença é que quase todas estão a dezenas de milhares de anos-luz de distância, enquanto este exemplar está a 'apenas' 400 anos-luz de nós", explica o cientista. Análises espectroscópicas de sua atmosfera revelaram ainda uma composição química exótica e pobre em metais pesados, característica que ajuda a rastrear suas possíveis origens.

“Esta descoberta abre sobretudo um novo caminho para o estudo de anãs marrons que se encontram em regiões remotas da Via Láctea, incluindo o centro galáctico, o halo estelar e seus aglomerados globulares.”

Essa constatação leva ao ponto mais fascinante da pesquisa: por conta da sua massa diminuta, o CWISE J1249+3621 é a menor candidata a estrela de alta velocidade já documentada na história da astronomia. "Isso indica claramente que os mecanismos capazes de arremessar astros a velocidades relativísticas funcionam tanto com gigantes massivas quanto com corpos muito leves", pontua o pesquisador.

As 4 hipóteses para explicar a fuga

1. O estilingue gravitacional

Para a pergunta de um milhão de dólares — o que forneceu tanto impulso a esse corpo celeste? —, a ciência ainda trabalha com hipóteses. O cenário mais tradicional para estrelas hipervelozes envolve um empurrão gravitacional dado pelo buraco negro supermassivo no coração da Via Láctea, o Sagittarius A*, através do mecanismo de Hills.

2. Vítima de um "vampiro cósmico"

"O curioso é que o astro parece estar mergulhando em direção ao centro em vez de se afastar, embora possa estar apenas fazendo uma trajetória de retorno", observa Burgasser. Outra possibilidade intrigante é que ele "tenha escapado de um vampiro cósmico". 

Nesse cenário, o astro pertencia a um sistema binário com uma anã branca que roubava seu material. Ao sugar matéria demais, a anã branca explodiu como uma supernova do Tipo Ia, destruindo-se e catapultando sua companheira desgovernada pelo espaço.

3. Chute em aglomerados globulares

A terceira alternativa envolve a interação dinâmica com buracos negros ou sistemas estelares densos no núcleo de um aglomerado globular. 

"Simulações recentes mostram que esses encontros caóticos devem ejetar objetos leves repetidas vezes ao longo da vida da galáxia", afirmam os autores.

4. O fator X: um intruso de outra galáxia

A última linha de raciocínio é a que reserva espaço para o inesperado: o estudo não descarta completamente que essa anã marrom seja um corpo extragaláctico, vindo de fora da Via Láctea após ter sido arrancado de uma galáxia anã devorada pela nossa no passado.

No entanto, a geometria do seu voo traz uma pista valiosa contra essa ideia. 

"Sua trajetória é justamente o aspecto mais surpreendente: o objeto se move quase perfeitamente alinhado ao plano do disco da Via Láctea. A maioria das estrelas fugitivas viaja em trajetórias inclinadas ou caóticas. Esse alinhamento orbital é a nossa melhor pista para finalmente determinar onde essa viagem começou", conclui a equipe de astrônomos.

Matéria traduzida de JeuxVideo*


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