Enquanto a Nokia transformou seu modelo icônico em item de colecionador, a BlackBerry se afasta dos celulares para fazer algo diferente

No início dos anos 2000, ambas as marcas eram as mais populares do mercado mobile, mas a chegada dos smartphones mudou drasticamente o panorama

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Bárbara Castro

Redatora

Existem duas marcas emblemáticas para quem viveu a era dos celulares "raiz": Nokia e BlackBerry. Enquanto uma virou sinônimo de resistência física e bateria quase infinita, a outra dominou escritórios e o ambiente corporativo com seu teclado físico completo.

Em 2026, ambas continuam em atividade, mas trilharam caminhos completamente opostos. De um lado, a Nokia lançou o Nokia 300 Charge, o sucessor espiritual de seu modelo mais vendido na história, o lendário Nokia 1100. Do outro, a BlackBerry abandonou de vez o segmento de smartphones e apostou em uma estratégia totalmente diferente.

Como a BlackBerry se reinventou

Em 2016, a BlackBerry concluiu sua transição para se transformar em uma empresa de software. Já em 2022, a companhia desligou os servidores que mantinham ativos os aparelhos com BlackBerry OS 7.1 (ou anterior) e BlackBerry 10. A partir daquele momento, esses dispositivos deixaram de fazer chamadas e enviar SMS — sendo incapazes até de discar para números de emergência.

Hoje, a gigante canadense atua em duas frentes principais: o QNX, seu sistema operacional voltado para carros e aplicações críticas, e a divisão Secure Communications, focada em governos e organizações com exigências rigorosas de segurança. De acordo com seu relatório corporativo, o QNX está presente em mais de 275 milhões de veículos ao redor do mundo, equipando modelos de montadoras como BMW, Mercedes-Benz e Volvo.

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Em termos financeiros, a BlackBerry divulgou recentemente os resultados fiscais do seu segundo trimestre (período encerrado em 31 de agosto de 2026). A companhia registrou uma receita total de US$ 163,3 milhões, o que representa uma alta de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, gerando um lucro líquido de US$ 33,9 milhões.

E o que aconteceu com a Nokia?

Desde o seu lançamento em 2023, o Nokia 1100 vendeu mais de 250 milhões de unidades, marca que o consagrou no Guinness World Records como o celular mais vendido de todos os tempos. E, embora a marca tenha dominado as vendas por anos, a ascensão vertiginosa dos smartphones com tela sensível ao toque acabou empurrando a pioneira para escanteio.

Ainda assim, a Nokia continuou firme no mercado, mas concentrou seus esforços em infraestrutura de telecomunicações. Recentemente, uma reportagem da Bloomberg revelou que as ações da empresa acumulam alta superior a 140% ao longo de 2026. O motivo desse salto: seus equipamentos ópticos de ponta voltados para data centers.

Apesar dessa mudança de foco, os celulares da marca Nokia continuam sendo lançados. Em agosto deste ano, a HMD Global apresentou o novo Nokia 300 Charge. O modelo é um típico "dumbphone" raiz com bateria com autonomia de até 40 dias em espera, lanterna integrada e função de powerbank para carregar outros dispositivos.

Matéria traduzida de Xataka*

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