A Netflix que se cuide: Brasil lança sua própria "arma" contra os streamings pagos e o melhor detalhe é o preço

Acessível e gratuito, a Tela Brasil surge como uma tentativa de reposicionar o audiovisual brasileiro como direito cultural, ativo educacional e patrimônio coletivo

Tela Brasil na tela do computador. Créditos: Congresso em Foco
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Já imaginou ter acesso a filmes e séries brasileiras sem desembolsar um único real por isso? Pois essa ideia pode estar mais perto de se tornar realidade do que parece. O governo federal anunciou o lançamento da Tela Brasil, uma nova plataforma de streaming público e gratuita voltada exclusivamente ao audiovisual nacional. Desenvolvido pelo Ministério da Cultura, o serviço está em fase final de testes e tem estreia prevista para o primeiro trimestre de 2026. A proposta é ampliar o acesso da população às produções brasileiras e oferecer uma alternativa pública às grandes plataformas privadas, com cadastro integrado à conta gov.br.

Plataforma de streaming público valoriza o audiovisual brasileiro

Concebida pela Secretaria do Audiovisual (SAV) em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Tela Brasil nasce como um serviço de vídeo sob demanda gratuito, pensado para fortalecer a presença do cinema e das séries nacionais no dia a dia da população. O catálogo está em construção e deve reunir cerca de 555 obras, entre curtas, médias e longas-metragens, além de séries nacionais, com  um investimento estimado em R$4,4 milhões.

O catálogo está sendo construído a partir de coleções mantidas pelo Ministério da Cultura e por entidades que atuam na preservação e difusão do audiovisual no país, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares. Entre os títulos previstos estão produções nacionais que ganharam projeção internacional, como indicações ao Oscar, e obras selecionadas via editais públicos.

Além de funcionar como vitrine para o audiovisual nacional, a plataforma assume compromissos explícitos com a diversidade. Entre eles, a representação da pluralidade de identidades culturais, étnico-raciais e de gênero, a valorização das diferentes regiões do país e a preservação da memória audiovisual brasileira, com foco em obras de relevância educacional, formativa e de impacto social.

Apesar da expectativa criada nas redes sociais, o Ministério da Cultura reforça que a plataforma ainda não está no ar. Segundo o órgão, tanto o serviço quanto os aplicativos para Android e iOS seguem em fase final de testes, com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2026.

Streaming gratuito amplia acesso à educação e à cultura no Brasil

A Tela Brasil não foi pensada apenas para entretenimento, mas também como uma ferramenta de política pública. Um dos públicos-alvo prioritários são as escolas de educação básica, em consonância com a Lei nº 13.006/2014, que determina a exibição de filmes brasileiros no ambiente escolar. A plataforma também deve atender espaços não comerciais de exibição, como cineclubes, bibliotecas públicas, centros culturais, Pontos e Pontões de Cultura, CEUs e espaços de memória.

Paralelamente ao streaming, o governo também prepara o Portal Tela Brasil, um ambiente digital focado na organização e na divulgação de dados sobre o setor audiovisual. A proposta é reunir informações históricas, institucionais e de mercado, além de agregar sites de empresas e instituições públicas e privadas que atuam na produção, circulação e exibição de obras no país.

O portal já conta com 16 termos de adesão firmados e deve organizar conteúdos por segmentos como plataformas brasileiras, cinema e educação, preservação, pensamento crítico, jogos brasileiros e internacionalização. A ideia é democratizar o acesso à informação, fortalecer a memória institucional do audiovisual e criar uma base pública e colaborativa sobre o setor.


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