Enquanto cidades europeias como Paris, Londres e Roma enfrentam aluguéis cada vez mais caros e custo de vida elevado, uma pequena vila medieval italiana resolveu pagar para atrair novos habitantes.
A iniciativa vem de Santo Stefano di Sessanio, uma comuna histórica localizada na região de Abruzzo, no centro da Itália. Com população reduzida e envelhecimento acelerado, a cidade passou a oferecer incentivos financeiros para pessoas interessadas em morar ali de forma permanente.
Entre os benefícios anunciados estão ajuda financeira de até 44 mil euros, moradia com aluguel reduzido e incentivo para abertura de pequenos negócios.
Pequena vila medieval que está perdendo moradores
Assim como diversos municípios rurais europeus, Santo Stefano di Sessanio sofreu com o declínio populacional ao longo das últimas décadas. Moradores mais jovens deixaram a região em busca de universidades, empregos e melhores oportunidades econômicas em grandes centros urbanos.
Hoje, a vila possui pouco mais de 100 habitantes fixos, e grande parte da população é formada por idosos. A redução no número de moradores começou a impactar diretamente a economia local e a manutenção de atividades básicas da comunidade.
Pacote financeiro com subsídios facilita mudança definitiva
Diferente de programas famosos de “casas por 1 euro”, bastante comuns na Itália, a proposta de Santo Stefano di Sessanio tenta atrair novos moradores ao facilitar a mudança de maneira mais ampla.
O objetivo da governaça local é evitar que a cidade se transforme apenas em um destino turístico sazonal sem vida cotidiana permanente, atraindo pessoas para construir uma rotina estável e completa no local, e não apenas adquirir imóveis baratos para temporada.
Os incentivos incluem:
- Auxílio anual de 8 mil euros para novos moradores durante os primeiros anos;
- Subsídio de 20 mil euros para abertura de empresas e pequenos negócios;
- Aluguel muito abaixo do valor praticado em grandes cidades italianas;
- Suporte administrativo para regularização da residência.
Vilarejo medieval fica a quase 150km da capital italiana. Foto: Reprodução/Google Maps
Quem pode participar da iniciativa
Para receber os incentivos, candidatos mais jovens recebem prioridade. Além disso, o programa de moradia criado pelo governo possui algumas exigências específicas para seleção dos candidatos:
- Disponibilidade para viver permanentemente na vila;
- Compromisso mínimo de permanência de cinco anos;
- Possibilidade legal de residência na Itália;
- Interesse em desenvolver atividades ligadas ao turismo, gastronomia, hospedagem ou cultura local.
Como é morar em Santo Stefano di Sessanio
A vila fica dentro do Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga, área montanhosa conhecida pelas paisagens naturais e pelo turismo histórico.
As ruas estreitas de pedra, as construções medievais preservadas e o ritmo tranquilo fazem o cotidiano ser completamente diferente da rotina encontrada nas grandes capitais europeias.
Durante o inverno, a região costuma registrar neve e temperaturas baixas por causa da altitude elevada. Já no verão, o clima ameno atrai turistas interessados em trilhas, gastronomia e experiências rurais.
Apesar do cenário considerado paradisíaco por muitos visitantes, viver em Stefano também exige adaptação: o acesso a serviços, empregos tradicionais e infraestrutura urbana é bem mais limitado do que em grandes cidades.
Santo Stefano di Sessanio é uma vila pacata na Itália. Foto: Shutterstock
Cidades europeias começaram a pagar por novos moradores
Programas desse tipo se tornaram mais comuns em regiões rurais da Europa nos últimos anos. O envelhecimento populacional, a queda no número de nascimentos e a migração para centros urbanos fizeram centenas de pequenas cidades perderem moradores rapidamente.
Como consequência, escolas fecharam, comércios desapareceram e algumas localidades passaram a correr risco de esvaziamento permanente.
Para tentar reverter esse cenário, governos locais começaram a criar incentivos financeiros voltados principalmente para famílias, empreendedores e trabalhadores remotos interessados em mudar de estilo de vida.
Foto de capa: Shutterstock
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