Até agora, lançar um drone militar de determinado tamanho exigia uma pista de pouso, um porta-aviões ou uma base especialmente preparada. Mas a China acaba de apresentar uma alternativa muito mais flexível: uma catapulta eletromagnética (EMALS) composta por vários caminhões que se acoplam para criar uma plataforma de lançamento em qualquer lugar onde haja espaço suficiente.
O sistema foi demonstrado em operação pela primeira vez em um vídeo divulgado nas redes sociais e vinculado à Escola de Engenharia Mecânica do Instituto de Tecnologia de Pequim. De acordo com a própria documentação do instituto, mais de 70 entidades participaram do desenvolvimento dessa família de sistemas militares, incluindo gigantes da indústria de defesa chinesa, como AVIC, NORINCO, CASIC, CASC e CSSC.
As imagens mostram três caminhões formando um comboio, acoplando-se e lançando um drone de asa fixa usando um trilho eletromagnético.
Não é a catapulta em si que surpreende; é a forma como ela se encaixa dentro de vários caminhões
A tecnologia EMALS não é nova na China; o sistema já está em uso no porta-aviões Fujian, onde substitui as catapultas a vapor tradicionais para lançar aeronaves com maior precisão e menor desgaste. O que realmente surpreende é a transformação desse sistema em uma plataforma completamente móvel, capaz de ser implantada em uma estrada, um porto, uma ilha ou até mesmo no convés de um navio mercante.
No vídeo compartilhado no X (antigo Twitter), também podemos ver um dos detalhes mais interessantes do sistema: os caminhões possuem direção nas quatro rodas, permitindo que manobrem quase em seu próprio eixo, mesmo quando acoplados. Essa capacidade técnica facilita a orientação de toda a catapulta de acordo com o vento antes do lançamento, algo essencial ao operar em espaços confinados ou improvisados.
Segundo a documentação oficial, além da própria catapulta, o sistema faz parte de uma família muito maior de equipamentos militares modulares que podem ser acondicionados em contêineres de transporte padrão.
Isso inclui lançadores de mísseis antinavio e de cruzeiro, sistemas antiaéreos, radares, equipamentos de guerra eletrônica e até mesmo centros de comando: a ideia é que possam ser transportados e implantados rapidamente, permanecendo indetectáveis até entrarem em serviço.
Uma base aérea improvisada que ainda levanta muitas questões
O conceito tem muitas vantagens no papel: alguns caminhões, eletricidade e alguns minutos de implantação seriam suficientes para ter uma capacidade de lançamento de drones muito mais próxima da linha de frente, reduzindo o tempo necessário para atingir o alvo e aumentando seu alcance efetivo na área de operações.
Além disso, para um país como a China, com interesses em arquipélagos do Pacífico ou regiões remotas de alta altitude, isso representa uma clara vantagem tática.
No entanto, ainda não se sabe como o sistema é alimentado, como os drones são recarregados para manter uma alta taxa de lançamento ou até que ponto uma versão embarcada seria estável em uma embarcação civil em mares agitados. Por enquanto, a primeira demonstração pública confirma que a ideia já se materializou e que a China continua a explorar novas maneiras de implantar aviação tática onde antes era impossível.
Imagens | @MenchOsint
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