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Nem gasolina, nem álcool e nem eletricidade: brasileiros criam Fiat Siena movido a água com quase zero emissão de carbono

Projeto desenvolvido por pesquisadores da UFSM adapta um veículo convencional para funcionar com hidrogênio e mostra como motores a combustão podem ganhar uma nova vida na transição para uma mobilidade mais limpa

Carro Movido A Hidrogenio
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Na ciência, poucas ideias parecem impossíveis. O desafio de encontrar soluções para vários problemas é que impulsionam pesquisadores e estudantes a testar caminhos diferentes em várias áreas. Foi assim que um grupo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, transformou um Fiat Siena em um veículo movido a hidrogênio. Apesar da associação com a água, o combustível que movimenta o veículo é o hidrogênio. A água aparece apenas como resultado do processo de combustão. Segundo os pesquisadores, o carro se tornou o primeiro automóvel desenvolvido no Brasil a utilizar um motor convencional adaptado para funcionar com esse tipo de combustível. 

Pesquisadores brasileiros usam hidrogênio para reinventar o motor a combustão

A redução das emissões de carbono se tornou um compromisso assumido por diversos países na tentativa de conter os impactos das mudanças climáticas. E um dos grandes desafios dessa missão está no setor de transportes, que depende da queima de combustíveis fósseis para movimentar milhões de veículos todos os dias. Carros movidos a gasolina, diesel e etanol liberam gases que contribuem para o efeito estufa, tornando a busca por alternativas mais limpas uma prioridade para a indústria e para a comunidade científica. 

Nesse sentido, os carros elétricos passaram a ser vistos como uma solução para diminuir o impacto ambiental provocado pelos transportes, mas eles podem não ser a única aposta para um futuro mais sustentável. Surfando nessa mesma onda de inovação, pesquisadores brasileiros decidiram explorar um caminho diferente: o uso do hidrogênio em motores de combustão interna já existentes. Desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o projeto tem por objetivo reduzir as emissões sem a necessidade de substituir completamente a estrutura mecânica dos veículos. 

A iniciativa faz parte do Programa Rota 2030, política nacional voltada à inovação no setor automotivo, e reúne especialistas de diferentes áreas da engenharia. O objetivo é avaliar o potencial do hidrogênio como alternativa aos combustíveis fósseis e aprofundar o conhecimento sobre tecnologias de mobilidade de baixo carbono. Apesar do projeto ainda estar em desenvolvimento, a inovação mostra que a transição para uma mobilidade mais limpa pode seguir diferentes caminhos 

Como funciona o Fiat Siena adaptado para rodar com hidrogênio

carro movido a hidrogênio O protótipo desenvolvido na UFSM mantém a estrutura original do veículo, mas substitui os combustíveis pelo hidrogênio

Para demonstrar a viabilidade da tecnologia, os pesquisadores escolheram um Fiat Siena para realizar os testes. Diferentemente dos veículos equipados com célula de combustível, que transformam hidrogênio em eletricidade para alimentar motores elétricos, o modelo desenvolvido pela UFSM utiliza o combustível diretamente em um motor de combustão interna. Entre as principais características do projeto estão:

  • Utilização de hidrogênio como combustível principal;
  • Manutenção de boa parte da estrutura mecânica original do veículo;
  • Emissões de poluentes próximas de zero durante o funcionamento;
  • Aplicação da técnica de retrofitting, que adapta veículos já existentes;
  • Sistema eletrônico recalibrado especificamente para operar com hidrogênio;

A principal vantagem ambiental da tecnologia está no fato de que o hidrogênio não libera dióxido de carbono durante a combustão, ao contrário da gasolina, do diesel e de outros combustíveis fósseis. Quando o combustível é queimado dentro do motor, o principal subproduto gerado é vapor de água, o que reduz a emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global. 

Apesar dos resultados promissores, a adoção dessa tecnologia em larga escala ainda enfrenta alguns desafios. A produção de hidrogênio verde, o armazenamento seguro do combustível e a criação de uma rede de abastecimento adequada continuam sendo alguns dos principais obstáculos para que o projeto seja aplicado na prática.

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