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Arábia Saudita quer transformar cidade desértica de Qiddiya em atração turística

Megaprojeto prevê construir até mesmo um circuito de Fórmula 1

Qiddiya
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A sudoeste de Riade, capital da Arábai Saudita, há uma cidade. Ela se chama Qiddiya e seu nome, em tradução para o português, deriva de um conceito que poderia ser definido como “os jardins”. Isso chama a atenção se considerarmos que, pelas imagens de satélite do Google Maps, não há muito além de deserto.

Essa referência aos jardins não é por acaso, como se pode imaginar. Tradicionalmente, na cultura islâmica, o jardim é um espaço de contemplação: o paraíso na Terra. Mas, para além das dimensões religiosas, os jardins nessa parte do mundo também são espaços de lazer, pequenos oásis em meio à areia.

Por isso, é fácil associar Qiddiya e sua referência aos jardins com seu propósito final. A cidade pretende ser um megaprojeto de parques temáticos inserido no plano conhecido como Saudi Vision 2030, a iniciativa para posicionar o país como algo além de um petroestado e atrair novos investimentos, trabalhadores e turismo.

Embora as imagens de satélite mostrem pouco além de deserto em boa parte dessa nova cidade, Qiddiya já conta com o primeiro parque temático Six Flags fora da América do Norte. A famosa rede ergueu no coração dessa cidade artificial a montanha-russa mais longa, mais alta e mais rápida do mundo. Só esse parque temático custou 1 bilhão de dólares, valor bancado, como era de se esperar, pelo Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano de investimento do reino.

A atração é o primeiro passo de um projeto que, segundo as projeções, deverá trazer 17 milhões de turistas a partir de 2030. O potencial é enorme e as empresas espanholas não quiseram ficar para trás. Por isso, já garantiram espaço em um setor estratégico: o transporte público.

Será preciso transportar toda essa gente

Foi isso que provavelmente pensou a Alsa, empresa espanhola encarregada, junto com a saudita Hafil, de colocar em operação o serviço de transporte público da megacidade dos parques temáticos.

A companhia, por meio do consórcio Alsa-Hafil, será responsável por colocar em circulação 156 ônibus — dos quais 126 serão totalmente elétricos. O contrato tem duração de oito anos e está avaliado em 500 milhões de euros.

Para oferecer o serviço, a Alsa também se associou à espanhola Indra. Esta última será a empresa responsável por monitorar em tempo real o tráfego dos ônibus. Isso será possível porque os veículos contarão com comunicação 5G, videomonitoramento e sistemas de contagem do número de passageiros em cada ônibus.

Segundo a Indra, todos esses dados permitirão gerenciar melhor o tráfego dos ônibus, reduzindo os congestionamentos que podem surgir em uma cidade que pretende abrigar 600 mil pessoas entre trabalhadores e visitantes dos parques temáticos. Tanto que há até planos para construir um circuito de Fórmula 1 para coroar a megacidade dos parques temáticos.

Conseguir esse contrato é mais uma demonstração da expansão que empresas espanholas especializadas em mobilidade vêm alcançando fora de suas fronteiras, especialmente no Oriente Médio. Na região, a Renfe também fez negócios com o chamado trem de alta velocidade para Mecca, um serviço operado com trens da Talgo.

Por sua vez, a Indra já administra outros serviços ligados ao transporte público na Arábia Saudita. A empresa é responsável pela manutenção do sistema de bilhetagem do metrô de Riade. Já a Moventis, integrada ao consórcio North West Bus, também opera em 60 cidades sauditas.

Imagem | Qiddiya (Twitter/X)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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