2026 prometia ser um ano excepcional para o turismo nos EUA; agora, o setor foi atingido por uma queda de 11 milhões de visitantes

  • Em 2026, os EUA comemoram a Copa do Mundo, o centenário da Rota 66 e o ​​250º aniversário de sua independência;

  • Apesar de um ano de crescimento global para o setor de turismo, os EUA registraram uma queda no número de visitantes internacionais em 2025

Imagens | Eilis Garvey (Unsplash), Gianandrea Villa (Unsplash)
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Fabrício Mainenti

Redator

2026 parecia promissor para o turismo nos EUA. Com o setor se recuperando da pandemia globalmente, os EUA começaram o ano com três grandes eventos capazes de atrair milhares de visitantes: a Copa do Mundo da FIFA, o centenário da Rota 66 e o ​​250º aniversário da Declaração de Independência. Três marcos que, em circunstâncias normais, teriam deixado agências, companhias aéreas e hotéis esfregando as mãos de expectativa. Em vez disso, surgem vozes alertando para problemas futuros.

Alguns alertam que a indústria americana corre o risco de perder uma fortuna e chegam a perguntar: milhões de turistas estão faltando no país?

O que aconteceu?

Em um ano em que (teoricamente) os Estados Unidos têm tudo a seu favor para fortalecer seu setor turístico, surgem vozes que falam exatamente do oposto: uma perda de turistas estrangeiros e nuvens negras no horizonte que ameaçam custar bilhões de dólares ao setor.

Há alguns dias, o The New York Times publicou uma análise que já apontava para alguns números preocupantes: em janeiro, o fluxo de turistas estrangeiros caiu 4,8%, percentual explicado em grande parte pelo colapso do turismo canadense, que registrou queda de 28% em relação a 2024.

Não se trata apenas de um número ruim; ele mantém a tendência negativa de 2025, ano em que os EUA sofreram uma queda de 6% no número de visitantes estrangeiros, enquanto o setor cresceu globalmente.

Imagens | Eilis Garvey (Unsplash), Gianandrea Villa (Unsplash)

Como será 2026?

A Oxford Economics se fez essa pergunta recentemente, principalmente porque, segundo seus dados, as pernoites de turistas internacionais nos EUA caíram 5,7% em 2025. A resposta é interessante: o observatório estima que, em 2026, o fluxo de visitantes estrangeiros aumentará 3,9%, embora esse crescimento venha com algumas ressalvas.

Para começar, a Oxford Economics destaca que o Campeonato Mundial de Automobilismo da FIA, que os EUA co-organizam com o México e o Canadá, deve ser suficiente para impulsionar a chegada de turistas. No entanto, a previsão de crescimento de 3,9% para os EUA é significativamente menor do que o aumento projetado na demanda global, que gira em torno de 8%.

Analistas já alertam que os EUA correm o risco de "ter um desempenho inferior ao de outros mercados internacionais novamente este ano".

Há mais dados?

Sim. O New York Times cita diversas análises e fontes que apontam para uma estagnação ou mesmo uma queda na demanda da Europa. O dado mais revelador é um estudo da Cirium que mostra uma queda de 14,2% nas reservas de julho provenientes do continente em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esses dados, porém, devem ser interpretados com cautela.

Primeiro, porque 2026 está apenas começando. Segundo, porque a análise se baseia em fontes externas e calendários de viagens e, portanto, não inclui reservas feitas diretamente com as companhias aéreas.

A perspectiva pode mudar?

Sim. Há um mês, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) emitiu um comunicado contundente alertando sobre o impacto das novas exigências propostas por Washington para viajantes que desejam usar o Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA), incluindo uma análise detalhada do histórico de mídias sociais do solicitante.

Caso a medida seja implementada, alerta a organização, o setor poderá sofrer uma queda na demanda com sérias consequências.

"34% dos entrevistados afirmam que têm menos probabilidade de visitar os EUA nos próximos dois a três anos se as mudanças forem implementadas. Apenas 12% dizem que teriam mais probabilidade, o que se traduzirá em uma queda líquida significativa nas intenções de viagem", explica o comunicado.

O WTTC estima uma perda de 4,7 milhões de chegadas internacionais e US$ 15,7 bilhões (cerca de R$ 84,4 bilhões) em gastos de visitantes. Em termos de emprego, aproximadamente 157 mil postos de trabalho seriam afetados.

Há outros fatores em jogo?

Sim. As mudanças no ESTA explicariam as perdas projetadas pelo WTTC para o futuro, mas não o 'furo' que o turismo estrangeiro nos EUA já sofreu em 2025, ano em que o setor cresceu na maioria dos destinos. Aliás, a própria ONU destacou os "resultados fracos" dos EUA, especialmente durante o terceiro e quarto trimestres.

O que explica essa tendência? Para o WTTC, a resposta parece clara: em 2025, com Trump na Casa Branca, a organização já alertava que "enquanto outros países recebem [os viajantes], o governo dos EUA está colocando a placa de 'fechado'".

Como está o setor?

Este não é o único alerta emitido. O WTTC observou recentemente que o mercado de turismo receptivo dos EUA sofreu uma perda de 11 milhões de visitantes em apenas quatro anos, entre 2019 e 2025. A organização não entra em detalhes nem aprofunda os dados. A ONU, no entanto, faz isso, embora para a América do Norte como um todo.

De acordo com suas estatísticas, a região recebeu 146,6 milhões de visitantes internacionais em 2019. Em 2025, esse número caiu para 135,4 milhões.

Este período coincidiu com a pandemia e suas consequências, mas nos últimos meses foi marcado pelas políticas internacionais lideradas por Trump, com ameaças de um tipo ou de outro contra a UE, o México e, principalmente, o Canadá e a Groenlândia, territórios que o republicano quer anexar aos EUA.

Por que isso é um problema?

"Quando onze milhões de visitantes internacionais não aparecem, o resultado são bilhões de dólares em perdas econômicas para o setor de viagens", alerta Erik Hansen, executivo da Associação de Viagens dos EUA, ao The New York Times.

Como aponta o jornal nova-iorquino, o governo Trump não facilitou a vida dos viajantes, restringindo a entrada de uma dúzia de países e anunciando medidas que aumentariam os custos dos vistos e obrigariam os turistas a passar por uma rigorosa verificação para entrar no país.

Nesse contexto, alguns já pediram um boicote às viagens aos EUA, inclusive durante a Copa do Mundo, entre outros motivos, para protestar contra as ações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).

Imagens | Eilis Garvey (Unsplash)Gianandrea Villa (Unsplash)

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