Aeroporto gigante de R$ 1,1 bilhão promete futuro e desenvolvimento — mas custa a remoção de 250 famílias de suas casas

Obra estratégica para o turismo enfrenta entraves técnicos e o deslocamento da população

Aeroporto. Créditos:Shutterstock
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Um projeto de engenharia gigantesco que ficou décadas preso na gaveta finalmente começou a sair do papel em 2025. Com investimento estimado em R$1,1 bilhão, o novo mega-aeroporto será construído em uma região estratégica da Colômbia, localizada no município de Palestina, no departamento de Caldas, com o objetivo de impulsionar o turismo, melhorar a logística aérea e gerar empregos.

Apesar da empolgação e grandiosidade da infraestrutura, o avanço da obra traz um impacto direto e sensível na população local: cerca de 250 famílias que vivem na área terão de deixar suas casas para que a construção seja viabilizada. O empreendimento, que ainda enfrenta entraves técnicos e atrasos no cronograma, expõe um dilema comum, mas longe de ser banal, das grandes obras de infraestrutura: o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, planejamento urbano e impacto social.

Aeroporto pensado para o desenvolvimento regional avança com impacto direto sobre moradores

O projeto do novo aeroporto, conhecido como Aerocafé, nasceu com a ambição de fortalecer a conexão aérea regional. Com uma pista de 1.460 metros, capaz de receber aeronaves de grande porte, a estrutura foi planejada para atrair investimentos e ampliar o fluxo turístico. O orçamento, que ultrapassa o valor de R$1,1 bilhão, coloca o projeto entre os mais caros e complexos já realizados na região.

As obras do novo aeroporto ainda estão em estágio inicial. A movimentação de máquinas e os preparativos no terreno marcam o início de um projeto que, mesmo antes de sair plenamente do papel, já carrega a expectativa de impulsionar o desenvolvimento econômico da região, hoje um dos principais polos turísticos do país. Porém, o avanço da obra ocorre em meio a entraves técnicos, incertezas administrativas e impactos diretos sobre o território e as comunidades locais.

Mais de 250 famílias precisarão sair de suas casas e comércios para a realização da obra

Aeroporto Cafe, Colombia. Créditos: Aeroin O Aerocafé será um dos maiores aeroportos da região. Créditos: Aeroin

A construção do Aerocafé enfrenta um problema que é recorrente na engenharia: a área escolhida para a implantação da pista e das estruturas operacionais não está vazia. Pelo contrário: aproximadamente 250 famílias vivem no entorno e serão diretamente impactadas pela obra. O projeto prevê o deslocamento de residências, propriedades rurais, pequenos comércios e até um posto de combustíveis, redesenhando completamente a ocupação do território.

Segundo as autoridades responsáveis, o Governo do Departamento de Caldas, a Aeronáutica Civil da Colômbia (Aerocivil) e o Ministério do Transporte, os moradores afetados poderão ser realocados para um bairro planejado, com moradias consideradas equivalentes ou superiores às atuais. Como esse processo leva tempo, existe também a possibilidade de indenizações financeiras temporárias. Esse deslocamento depende ainda de licenças ambientais, audiências públicas e exigências técnicas que seguem em andamento. 

Há ainda um outro fator que não deve ser excluído: o impacto psicológico de abandonar a casa e a rotina. Mesmo com promessas de realocação e compensações financeiras, o deslocamento forçado de famílias segue como um dos pontos mais sensíveis do projeto.

A obra ainda nem começou oficialmente: atrasos, licitações frustradas e a falta de fiscalização travam o cronograma

Apesar de estar em fase preparatória, o início oficial da construção do Aerocafé segue indefinido, o início oficial da construção segue indefinido. Em dezembro de 2025, uma das licitações mais importantes do projeto, a contratação da empresa responsável pela supervisão técnica da obra, foi declarada nula, após os concorrentes não atenderem aos requisitos legais e técnicos exigidos.

No início de 2026, o cronograma precisou ser novamente ajustado. O motivo foi um pedido de mais prazo feito por grandes empresas internacionais interessadas na fiscalização do projeto, que alegaram necessidade de tempo adicional para apresentar certificações. Sem um órgão de supervisão formalmente contratado, as obras não podem avançar para a fase principal. A previsão mais otimista para a emissão do alvará e o início das obras aponta para março de 2026. 

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