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Pesquisadores analisaram o cérebro de pessoas que meditam e descobriram algo inesperado sobre a "idade cerebral" delas

Este método ainda precisa ser aplicado a uma população maior para que os resultados possam ser extrapolados

Imagens | Drazen Zigic em Magnific
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Fabrício Mainenti

Redator

A idade que consta em nosso documento de identidade nem sempre corresponde à idade real de nossos órgãos. No campo da neurociência, a "idade cerebral" tornou-se um biomarcador fascinante para entendermos como nosso sistema nervoso envelhece e quais fatores podem protegê-lo. E agora, a meditação parece desempenhar um papel fundamental em reverter esse processo, pelo menos durante o sono.

Um novo estudo publicado na revista Mindfulness descobriu que pessoas que praticam meditação em um nível avançado têm uma "idade cerebral" durante o sono quase seis anos menor do que sua idade cronológica. Essa descoberta surpreendente abre portas para o estudo da neuroplasticidade e o papel que esse hábito pode desempenhar na vida de muitas pessoas. Embora, é claro, devamos evitar a ideia de experimentar um "rejuvenescimento" milagroso.

Como vimos

Para entender a descoberta, é necessário primeiro compreender como a "idade cerebral" é medida. Aqui, os pesquisadores não usaram ressonância magnética para medir o tamanho do cérebro, mas sim analisaram a atividade elétrica por meio de eletroencefalogramas (EEGs) durante o sono.

Sua evolução

Sabe-se que, com o passar dos anos, as ondas cerebrais produzidas durante o sono sofrem alterações previsíveis. Com base nisso, algoritmos foram utilizados para calcular um "índice de idade cerebral" a partir desses padrões elétricos. Segundo esses dados, se o cérebro produz ondas típicas de uma pessoa de idade semelhante, o índice é próximo de zero; se produz ondas típicas de uma pessoa mais velha, o índice é positivo.

O método

A equipe de pesquisa avaliou 34 pessoas que praticam meditação em nível avançado, pertencentes à disciplina de Engenharia Interior, com idade média de 38 anos, e comparou seus registros de sono com os de diversos grupos de controle que não praticavam meditação.

O resultado foi que as pessoas que meditam regularmente apresentaram um índice correspondente ao de pessoas seis anos mais jovens. Ou seja, seus cérebros, eletricamente falando, comportaram-se como os de pessoas quase seis anos mais jovens enquanto dormiam, enquanto os grupos de controle apresentaram valores próximos de zero ou ligeiramente positivos.

Mais um biomarcador

As descobertas se encaixam como mais uma peça em um quebra-cabeça científico que vem sendo desenvolvido há anos. Pesquisas anteriores já apontavam para mudanças globais no espectro do EEG e maior neuroplasticidade, tendo-se observado, inclusive, que a meditação regular causava um aumento na massa cinzenta cerebral e um possível efeito neuroprotetor.

Contudo, do ponto de vista clínico, é crucial não confundir um marcador de EEG com rejuvenescimento literal. O fato do cérebro apresentar padrões elétricos mais jovens durante a noite é um excelente indicador biológico de saúde cerebral, mas este estudo não demonstra clinicamente que a meditação seja uma ferramenta comprovada para reverter o declínio cognitivo.

Devemos ser cautelosos

Neste caso, não se pode afirmar categoricamente que a meditação rejuvenesce o cérebro, pois podem existir outros fatores não mensurados. Devemos também ter em mente que este é um estudo com apenas 34 participantes, sendo necessário aumentar o tamanho da amostra para extrapolar os resultados para toda a população.

Imagens | Drazen Zigic em Magnific


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