Há 30 anos, ríamos da obsessão da China e do Japão com a proteção solar: agora, estamos seguindo seus passos

O bronzeado não é igual em todos os lugares, mas uma ideia está ganhando força: bronzear-se envolve riscos

Imagens | The Wu's Photo Land (Flickr), Emanuelle Ricciardi (Unsplash) e Quan-You Zhang (Unsplash)
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Se você viajar para Qingdao ou qualquer outra praia na China, poderá encontrar banhistas que, além de biquínis, sandálias e óculos de sol, usam "facekinis" coloridos. Isso já acontecia há alguns anos (e até mesmo em 2025), quando essa peça peculiar que cobre todo o rosto para protegê-lo dos raios ultravioleta ganhou popularidade durante uma onda de calor. Em outras partes do mundo, a imagem de mulheres chinesas com a cabeça submersa em toucas de natação tamanho GG, que deixavam apenas os olhos e a boca à mostra, foi interpretada como uma excentricidade, mais uma prova da aversão dos asiáticos ao bronzeamento artificial.

Nas praias brasileiras, talvez não se vejam muitos "facekinis", mas uma ideia está começando a ganhar força: diferenças culturais à parte, os chineses, japoneses e coreanos podem não estar errados ao fazerem de tudo para se protegerem do sol.

"É muito malvisto"

O "facekini" é a sua demonstração mais óbvia (e explícita), mas está ligado a um fenômeno muito maior: nem todos valorizam o bronzeado da mesma forma. Vincent Coëffé, da Universidade de Angers, explicou isso há alguns anos em um artigo publicado no The Conversation: a perspectiva de exibir um bronzeado pode parecer maravilhosa na Califórnia, mas as coisas são bem diferentes quando se conversa com alguém da Ásia.

"A pele clara ainda é vista com bons olhos nas culturas asiáticas (China, Índia, Japão, Coreia…), a ponto de expor o corpo ao sol ser percebido como um ato subversivo", afirma Coëffé, geógrafo e especialista em turismo. Na China, o bronzeamento artificial é malvisto, especialmente se alterar o corpo feminino, que é particularmente influenciado pelo ideal de pele "leitosa".

O bronzeamento artificial está se tornando mais comum, e é cada vez mais frequente ver asiáticos tomando sol tanto no exterior quanto nas praias de seus próprios países, mas ainda existe uma diferença cultural significativa em comparação com o Ocidente.

Facekini

Por que eles fazem isso?

Essas diferenças na exposição ao sol explicam por que, durante décadas observamos com uma mistura de fascínio e incompreensão turistas asiáticos passeando pelas ruas em pleno verão, fugindo dos raios ultravioleta como se fossem a peste.

Ficamos impressionados com o fato de que, além de chapéus e óculos de sol, eles usavam luvas, camisas de manga comprida, roupas com proteção solar e carregavam guarda-chuvas. "Por que todos usam guarda-chuvas nas ruas do Japão? Está muito quente? Eles estão se protegendo do sol ou está extremamente quente?" Uma viajante perguntou, intrigada, em agosto de 2025, na comunidade do Facebook "Mochileiros no Japão".

Esta autora teve a oportunidade de viajar para o Cairo há alguns anos, e uma das coisas que mais me impressionou, além dos monumentos do Antigo Egito, foi ver turistas coreanas de pele muito clara passeando com guarda-chuvas (ou guarda-sol) e vestidos longos que cobriam os braços e as pernas. Um contraste enorme com os espanhóis que caminhavam ao sol de bermuda e camiseta.

Lição de humildade

Por aqui, é mais fácil encontrar pessoas optando por mangas compridas e roupas com proteção solar durante os horários mais quentes do dia e, sobretudo, ninguém mais se surpreende ao ver pessoas usando guarda-sol. Os pais também vestem seus filhos pequenos com camisetas de proteção solar antes de irem à praia ou ao rio.

Guarda-sol, camisetas e mais

Os guarda-sol são talvez a demonstração mais clara de que estamos mudando nossa relação com o sol, mas certamente não é o único nem o mais importante sinal. Uma rápida pesquisa em arquivos de jornais revela entrevistas com especialistas dedicados a desmistificar crenças populares e alertar sobre os riscos de tomar sol sem proteção, a ameaça de melanoma, queimaduras solares… Eles se manifestam porque existe um problema fundamental, mas o fato de o fazerem também demonstra uma crescente conscientização.

Não é que nossa percepção cultural de corpos bronzeados esteja mudando, mas sim que a mensagem dos especialistas está se consolidando: há 20, 30 ou 40 anos, quando olhávamos com estranheza para os asiáticos que se protegiam do sol a todo custo, nós é que éramos os excêntricos. O que é 'estranho' não é passear com guarda-sol e protetor solar às cinco da tarde em julho. O que é 'estranho' é punir deliberadamente o nosso corpo, com todos os riscos que isso acarreta.

"O sol é uma radiação eletromagnética que, ao atingir nossa pele, produz mutações em nosso ácido nucleico, e essas mutações podem ser inicialmente neutralizadas pelo nosso corpo", alertou o Dr. Julián Conejo Mir, Presidente Honorário da Academia Espanhola de Dermatologia e Venereologia, em 2016. "Qualquer pessoa que vá à praia todos os dias pode desenvolver câncer de pele, mas nosso sistema imunológico, se estiver funcionando corretamente, irá neutralizá-lo."

Original

Ótimo, não é?

Talvez já não nos surpreendamos ao ver alguém usando um guarda-sol em uma tarde ensolarada, mas isso não significa que tenhamos internalizado as implicações do banho de sol irresponsável. Na verdade, corremos o risco de nos acomodarmos e pensarmos que roupas de proteção ou guarda-sóis são ferramentas infalíveis para nos proteger do melanoma.

Um estudo recente da Nivea Sun demonstra isso claramente, revelando duas estatísticas instigantes: 85% dos espanhóis admitem estar preocupados com os efeitos do sol na pele, mas uma grande maioria (67%) também admite não usar protetor solar regularmente.

Outro exemplo claro são as redes sociais. Graças a essas plataformas, os médicos podem alertar sobre os riscos de passar horas ao sol sem proteção, mas o Facebook, Instagram e TikTok também servem como um megafone para pessoas que compartilham boatos, rumores e informações falsas sem base científica, incentivando outros a ignorar os dermatologistas.

Imagens | The Wu's Photo Land (Flickr), Emanuelle Ricciardi (Unsplash) e Quan-You Zhang (Unsplash)

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