Imagens de satélite confirmam: a Ucrânia partiu ao meio um insubstituível bombardeiro Tu-95 da Rússia

O Tu-95, uma relíquia da Guerra Fria, apareceu partido ao meio em imagens de satélite

Avião russo
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2196 publicaciones de Victor Bianchin

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) afirma ter destruído um bombardeiro Tu-95 na base aérea de Engels-2, na região russa de Saratov, após um ataque com drones. Os dispositivos percorreram cerca de 800 quilômetros até atingir o alvo. Segundo o próprio órgão, a aeronave sofreu danos críticos, com a seção traseira completamente arrancada.

A notícia circulou durante dias em diferentes veículos especializados, mas foram as imagens captadas por satélite pelo grupo de inteligência de fontes abertas AviVector que acabaram confirmando o ocorrido, posteriormente corroboradas por fotografias da Planet Labs obtidas pelo Schemes. As imagens mostram um Tu-95MS carbonizado e partido ao meio sobre a pista da base aérea de Engels-2.

O Tu-95 é uma relíquia da Guerra Fria, tendo realizado seu primeiro voo em 1952, mas continua sendo uma das principais peças da estratégia de dissuasão militar da Rússia. A variante Tu-95MS, derivada da aeronave de patrulha marítima Tu-142, é a principal plataforma de lançamento dos mísseis de cruzeiro Kh-101, os mesmos que a Rússia empregou repetidamente contra cidades ucranianas ao longo da guerra.

Cada aeronave pode transportar até seis desses mísseis em um lançador rotativo interno, enquanto a versão modernizada Tu-95MSM pode levar até oito, incluindo o Kh-102, com capacidade nuclear. Em outras palavras, um único desses bombardeiros é capaz de executar sozinho uma missão de guerra nuclear aérea, o que ajuda a explicar o entusiasmo das tropas ucranianas ao destruí-lo.

A Rússia já não consegue fabricar o Tu-95. A infraestrutura industrial responsável por sua produção desapareceu há décadas e seu sucessor teórico, o bombardeiro furtivo PAK DA, continua apenas no papel. Segundo o Kyiv Post, estima-se que a Rússia contava, em 2023, com 45 unidades do Tu-95MS e 18 do Tu-95MSM modernizado. Outras fontes citadas por veículos especializados estimam que a frota operacional atual seja de cerca de 60 aeronaves.

A Ucrânia comemora

O SBU divulgou o ataque em seu canal no Telegram com a seguinte mensagem: "O SBU destrói sistematicamente elementos importantes da máquina de guerra russa. Cada bombardeiro estratégico eliminado significa dezenas de mísseis que deixarão de ser lançados contra cidades ucranianas, vidas ucranianas salvas e dezenas de milhões de dólares em perdas irreparáveis para o inimigo." O órgão acrescentou que a aviação estratégica russa "já não pode se sentir segura nem mesmo em suas bases aéreas mais remotas".

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, também comemorou a operação em sua conta no Telegram, classificando-a como mais um sucesso do que chama de "sanções de longo alcance" da Ucrânia contra a Rússia. Ele definiu a ação como um exercício de "defesa ativa e justa" por parte de seu país.

Não é a primeira vez que a aviação russa é neutralizada dessa forma. Meses antes, a chamada Operação Teia de Aranha já havia imposto um duro golpe à Rússia por meio do uso em massa de drones.

Como era de se esperar, a perda de um único bombardeiro não muda o rumo da guerra. Segundo o TechRadar, é muito provável que a Rússia continue lançando salvas de mísseis de cruzeiro, reforce suas defesas antiaéreas, fortaleça a proteção de seus hangares e utilize aeronaves falsas pintadas para tentar confundir os operadores de drones ucranianos.

Imagem | Sergey Kustov (Wikipedia)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio