Recrutadores utilizam diferentes estratégias para encontrar os melhores talentos para suas empresas. Mas você já ouviu falar no “Teste do Táxi”? Em meio a currículos impecáveis, experiências em grandes companhias e habilidades técnicas, Luis von Ahn, cofundador e CEO do Duolingo, adotou uma estratégia um pouco inusitada para identificar candidatos que não combinam com a cultura da empresa: observar como eles tratam pessoas fora da sala de entrevista. O teste se tornou um dos métodos usados pelo executivo para descobrir sinais de arrogância antes de uma possível contratação.
O “Teste do Táxi” revela mais sobre os candidatos do que o próprio currículo
Em empresas de tecnologia, onde a disputa por profissionais altamente qualificados é intensa, encontrar alguém com um currículo impecável nem sempre significa encontrar o candidato ideal. Mas para Luis von Ahn, CEO do Duolingo, uma das características mais importantes em um funcionário não aparece em certificados, cargos anteriores ou portfólios, mas na forma como ele trata outras pessoas.
A estratégia surgiu como uma maneira de identificar comportamentos que dificilmente aparecem durante uma entrevista de emprego comum. Afinal, em uma conversa de apenas uma hora, os candidatos tendem apresentar a melhor versão, tornando mais difícil perceber traços como arrogância, falta de empatia ou dificuldade de trabalhar em equipe.
Foi a partir desse detalhe que o CEO decidiu seguir com o “Teste do Táxi”. Durante processos seletivos, especialmente para cargos de liderança, o empresário observava como os candidatos se comportavam durante o trajeto entre o aeroporto e o escritório da empresa. Depois, a equipe perguntava ao motorista como havia sido a experiência com aquela pessoa.
A ideia pode parecer ardilosa, mas a lógica por trás dele é bem simples: se alguém demonstra desrespeito com uma pessoa que considera estar em uma posição inferior, esse comportamento pode aparecer também dentro da empresa, especialmente na relação com equipes subordinadas. Por isso, durante entrevistas de emprego, o empresário busca identificar não apenas a capacidade técnica dos candidatos, mas também sinais de como eles lidam com outras pessoas.
Em entrevista ao podcast podcast “The Burnouts”, Luis von Ahn resumiu essa filosofia de contratação com uma frase direta: “Melhor ter um buraco do que um babaca”. Para ele, manter uma vaga aberta por mais tempo é menos prejudicial do que contratar alguém capaz de comprometer a colaboração e o ambiente de trabalho.
Nem todo talento combina com uma empresa: entenda critério que o Duolingo usa para decidir quais funcionários contratar
Luis von Ahn, CEO do Duolingo, defende uma filosofia de contratação em que comportamento e colaboração pesam tanto quanto experiência profissional
A estratégia do Duolingo faz parte de uma visão mais ampla sobre contratação. Embora a empresa valorize profissionais com alto desempenho técnico, o CEO afirma que competência sozinha não é suficiente. O candidato também precisa demonstrar alinhamento com a missão da empresa e capacidade de trabalhar em equipe. Essa filosofia está ligada ao conceito interno chamado “One for All” (Um por Todos), que busca reforçar a colaboração entre funcionários. Segundo o CEO, a empresa procura pessoas excelentes em suas áreas, mas que também tenham atitudes compatíveis com o ambiente que deseja construir.
Para o executivo, contratar alguém inadequado pode criar problemas que vão muito além da função ocupada. Um profissional considerado excelente, mas que dificulta relações internas, pode comprometer equipes inteiras e afetar a produtividade da organização. Porém, com o tempo, o “Teste do Táxi” deixou de fazer sentido, já que muitos candidatos já passaram a conhecer a estratégia e a agir com mais cuidado durante os trajetos. Ainda assim, a ideia continua influenciando a forma como os recrutadores da empresa avaliam candidatos.
Ver 0 Comentários