Você pode ficar sem queijo parmesão no seu macarrão e a culpa é dos combustíveis fósseis

O Parmigiano Reggiano, o verdadeiro queijo parmesão com tradição de mais de 800,  pode enfrentar seu maior desafio devido o aquecimento global

Parmigiano Reggiano
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O parmesão é um dos queijos mais populares do mundo e um ingrediente indispensável em massas, risotos e várias outras receitas. Mas o autêntico queijo italiano, conhecido como Parmigiano Reggiano, enfrenta uma ameaça crescente provocada pelas mudanças climáticas, que já afetam a produção e colocam em risco o futuro dessa tradição. Na Itália, o aumento das temperaturas e a falta de chuvas já estão afetando a alimentação das vacas, reduzindo a produção de leite e colocando em risco as características que tornam esse queijo único. Para especialistas, se o aquecimento global continuar avançando, o futuro desse alimento tão amado no mundo todo pode ficar seriamente comprometido.

O verdadeiro Parmigiano Reggiano depende de um ecossistema que só existe em uma região da Itália

Parmigiano Reggiano O Parmigiano Reggiano só pode receber esse nome quando é fabricado em regiões específicas da Itália, preservando a tradição, o sabor e a identidade do autêntico parmesão

Você deve estar se perguntando: afinal, o que tem de tão especial no Parmigiano Reggiano? Fabricado há mais de 800 anos, ele possui uma Denominação de Origem Protegida (DOP), o que significa que só pode ser fabricado em áreas específicas da Itália e de acordo com um rigoroso método de produção que preserva sua identidade 

Uma das exigências é que as vacas sejam alimentadas exclusivamente com grama e feno cultivados nessa mesma região. O problema é que as mudanças climáticas começam a afetar toda a cadeia de produção. Com períodos cada vez mais longos de seca e temperaturas elevadas, a vegetação cresce menos, reduzindo a disponibilidade de grama e feno utilizada na alimentação dos animais.

Segundo o Consórcio Parmigiano Reggiano, esse alimento é essencial na dieta das vacas. Os fenos cultivados na região carregam microrganismos naturais que passam para o leite e ajudam a desenvolver os aromas, a textura e o sabor característicos do queijo  durante a maturação. Ou seja, grande parte da identidade do Parmigiano Reggiano depende das condições ambientais daquele território.

Além disso, o calor intenso também afeta os animais. Em dias muito quentes, as vacas passam mais tempo deitadas, comem menos e podem produzir até 10% menos leite. Mas além da diminuição da quantidade, o calor também afeta a qualidade da matéria-prima, já que as alterações climáticas podem modificar a microbiologia do leite, responsável pela fermentação e pelas características sensoriais do queijo.

O calor extremo já aumenta os custos de produção e ameaça o futuro do "rei dos queijos"

Produzir o autêntico Parmigiano Reggiano nunca foi uma tarefa simples, mas as mudanças climáticas tornaram esse desafio ainda maior. Além de afetar a alimentação e a produtividade das vacas, o calor extremo obriga os produtores a investir em equipamentos para manter os animais em condições adequadas, o que acaba aumentando os custos de produção.

Parmigiano Reggiano

Os gastos também aumentam durante a longa etapa de maturação. Cada roda de Parmigiano Reggiano precisa permanecer armazenada por, no mínimo, 12 meses, e algumas chegam a envelhecer por mais de três anos. Manter esses ambientes em condições ideais exige mais energia, especialmente durante os verões mais quentes.

Até chegar às prateleiras dos mercados, cada peça ainda passa por uma criteriosa inspeção de qualidade. Especialistas utilizam pequenos martelos para verificar, pelo som, se houve alguma falha interna durante o processo de maturação. Toda essa cadeia produtiva dos queijos movimenta cerca de 4,5 bilhões de euros por ano e sustenta milhares de empregos na Itália. Por isso, o receio dos produtores não é só com o impacto econômico. Se o avanço das mudanças climáticas tornar inviável o cultivo da forragem típica da região, o Parmigiano Reggiano poderá perder as características que o diferenciam de outro queijo parmesão produzido no mundo.


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