A obra mais ousada do Mar do Norte: uma colossal ilha artificial à qual metade da Europa quer se conectar para receber energia

Uma ilha, seis países, um único cabo: é assim que a Dinamarca imagina seu futuro energético

Ilha artificial
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2195 publicaciones de Victor Bianchin

A Europa depende de outros países para obter recursos estratégicos valiosos como gás e petróleo, por isso a transição energética é considerada prioridade absoluta. A energia eólica é parte essencial desse plano e, entre os lugares onde pode ser explorada, existe um especialmente promissor: o mar do Norte. O desafio é conectar esse enorme parque de turbinas eólicas ao restante do continente.

A solução: construir uma nova ilha na Dinamarca. Essa nova ilha artificial no mar do Norte deverá funcionar como uma espécie de "tomada gigante", conectando ao mesmo tempo centenas de turbinas eólicas offshore de vários países europeus. Batizada de North Sea Energy Island, ela será construída entre 80 e 100 quilômetros da costa oeste da Jutlândia, terá um custo estimado em cerca de 28 bilhões de euros (segundo a Agência Internacional de Energia) e será administrada pela operadora dinamarquesa Energinet.

Embora inicialmente tenha capacidade de 3 GW, o plano é expandi-la para 10 GW até 2040, o suficiente para abastecer cerca de 10 milhões de residências europeias. A instalação concentrará a distribuição de eletricidade, poderá produzir hidrogênio e, no futuro, também deverá incorporar sistemas de armazenamento de energia.

Segundo a estatal dinamarquesa Energinet, trata-se da maior obra de infraestrutura da história do país. Mas o projeto não é apenas dinamarquês: ele foi concebido como uma iniciativa multinacional para acelerar a expansão da energia eólica offshore e reforçar a infraestrutura energética entre os países do mar do Norte.

Além disso, concentrar a conexão de vários parques eólicos em um único ponto permite dividir os custos da infraestrutura e instalar as turbinas mais longe da costa, onde os ventos são mais constantes e previsíveis. Outro objetivo da ilha é produzir hidrogênio verde para abastecer navios e aviões, dois setores cuja eletrificação direta é especialmente difícil.

Contexto

O projeto surgiu a partir do acordo climático da Dinamarca de 2020, quando o Parlamento aprovou a criação de duas ilhas energéticas: esta ilha artificial no mar do Norte e outra, menor e de origem natural, na ilha de Bornholm, no mar Báltico.

Em maio de 2022, o projeto ganhou força com o acordo firmado entre os ministérios de Energia da Alemanha, dos Países Baixos, da Bélgica e da Dinamarca, que definiram a capacidade inicial da ilha e suas conexões. A iniciativa faz parte da estratégia europeia mais ampla para expandir a geração de energia renovável offshore, promovida pela Comissão Europeia desde 2019 com o objetivo de alcançar a neutralidade climática até 2050.

A Dinamarca detém a participação majoritária nessa infraestrutura estratégica por meio da Energinet, responsável pela construção e proprietária da rede de transmissão até o território dinamarquês. As demais conexões internacionais serão estabelecidas com operadoras de cada país, como a Elia (Bélgica) e a Amprion (Alemanha). A ilha será ligada à Dinamarca por Gammelgab, no município de Varde, e a conexão com a rede elétrica será feita em uma subestação em Revsing, no município de Vejen, segundo a Energinet.

A produção de hidrogênio na ilha ainda depende dos avanços tecnológicos previstos para a próxima década. Tudo se resume à viabilidade econômica, ou seja, se será mais vantajoso produzir o hidrogênio na própria ilha ou no continente.

O potencial de descarbonização é enorme, assim como o apoio político ao projeto. No entanto, ele já enfrenta atrasos e aumento dos custos. Originalmente prevista para entrar em operação em 2033, a ilha agora só deverá se tornar realidade a partir de 2036. Também existem preocupações ambientais: o projeto prevê transformar estruturas de proteção em recifes artificiais e monitorar a biodiversidade marinha, mas ainda depende da obtenção das licenças ambientais necessárias. Em resumo, essa ilha energética ainda é muito mais um projeto do que uma realidade.

Imagem: Vindo

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio