Provérbio chinês: "se você quer ser feliz durante uma hora, tire uma soneca; se você quer ser feliz por toda a vida, ajude alguém"

Do ponto de vista psicológico, esse provérbio fala sobre o bem-estar proporcionado por ajudar outra pessoa

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Os provérbios chineses conquistaram popularidade por sua facilidade em explicar ideias por meio do uso de metáforas. Uma fórmula que atravessou os séculos e que algumas pessoas chegam a utilizar como guia para a vida cotidiana.

Por exemplo, o provérbio de que vamos falar desta vez trata de como a felicidade das pessoas não se sustenta em bens materiais nem na satisfação imediata. Em vez disso, ele aborda a forma como nos relacionamos com os outros. Em especial, se você quer ser feliz por um dia ou por toda a vida.

"Se você quer ser feliz durante uma hora, tire uma soneca. Se você quer ser feliz por um dia, vá pescar. Se você quer ser feliz por um ano, herde uma fortuna. Se você quer ser feliz por toda a vida, ajude outra pessoa."

O provérbio fala sobre diferentes níveis de felicidade. A forma mais fácil de alcançá-la é tirar uma soneca, já que isso proporciona um prazer imediato, mas passageiro. Já pescar pode trazer felicidade por meio da experiência, enquanto herdar uma fortuna oferece um benefício de médio prazo, embora dependa de fatores externos.

No entanto, ajudar os outros pode proporcionar felicidade a longo prazo ao longo da vida. Isso está relacionado ao conceito de bem-estar eudaimônico, uma forma de felicidade que não depende de gratificações imediatas, mas do sentido e do propósito que as pessoas encontram em suas ações.

De fato, do ponto de vista psicológico, o provérbio sugere que o bem-estar individual está intimamente ligado ao ambiente social. Uma análise publicada pela revista Psychology Today distingue duas formas de entender a felicidade. De um lado, está o bem-estar hedônico, voltado para a busca de prazeres como dinheiro e fama.

Em contrapartida, existe o bem-estar eudaimônico, que prioriza aspectos como propósito de vida, conexão com outras pessoas e serviço à comunidade. Muitas vezes, consideramos a felicidade como uma sequência de momentos emocionantes ou divertidos, mas que acabam durando pouco.

"Pessoas que vivem em sociedades mais materialistas frequentemente relatam sentir-se menos realizadas e, às vezes, até mais deprimidas. A felicidade eudaimônica muda o foco do prazer pessoal para algo maior, porque ajudar os outros pode aumentar o bem-estar além do que experimentamos ao gastar dinheiro conosco mesmos."

Além disso, um estudo divulgado pelo Science Daily, liderado pela pesquisadora da Universidade da Colúmbia Britânica, Elizabeth Dunn, constatou que as pessoas que destinaram uma quantia de dinheiro para beneficiar outras relataram níveis de felicidade mais elevados do que aquelas que usaram o mesmo valor para si próprias.

Dessa forma, a ciência reforça a relação entre a generosidade e o bem-estar emocional. É claro que isso não significa que devamos gastar dinheiro com os outros o tempo todo. No fim das contas, qualquer forma de ajudar pode contribuir para essa felicidade, inclusive gestos como ouvir alguém, oferecer companhia ou ensinar algo em que você tem experiência.

Imagem: Neil Thomas (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.


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