Kim Jong-un , o “bilionário comunista”? O regime está mais rico do que nunca após a Coreia do Norte adotar táticas implacáveis

Enquanto Kim fortalece o regime e amplia o poder militar, a população continua enfrentando fome e forte repressão

Kim Jong Un
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Um líder comunista à frente de um regime cada vez mais rico parece contraditório, e talvez realmente seja. Mas é exatamente esse contraste que marca a atual fase da Coreia do Norte. Enquanto metade da população enfrenta dificuldades para conseguir comida, o governo de Kim Jong-un vive a fase financeira mais próspera em anos, impulsionado pela guerra na Ucrânia, pela aproximação com Rússia e China e por uma estratégia de controle econômico cada vez mais firme. Com isso, especialistas afirmam que o regime vive sua melhor fase financeira, mas os benefícios dessa recuperação ainda não chegaram à população.

Armas, Rússia e China: a estratégia que fortaleceu a economia da Coreia do Norte

A Coreia do Norte tem enfrentado dificuldade financeira há anos, agravada pelas sanções internacionais e pelos impactos da pandemia de covid-19. Em 2020, Kim Jong-un, líder supremo da Coreia do Norte, fez um raro pronunciamento pedindo desculpas à população pelas dificuldades enfrentadas no país. Poucos anos depois, porém, o discurso mudou significativamente. Em março deste ano, o líder norte-coreano declarou que o país havia passado por uma "transformação milagrosa" e que já não era vulnerável às ameaças externas.

Embora seja difícil obter informações precisas sobre a economia norte-coreana devido ao rígido controle imposto pelo governo, estimativas do Banco Central da Coreia do Sul apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) da Coreia do Norte cresceu 3,7% em 2024, o melhor desempenho em oito anos. Para especialistas, trata-se do período de maior fortalecimento econômico do regime desde que Kim Jong-un assumiu o poder.

Grande parte dessa recuperação está diretamente ligada à geopolítica dos últimos anos. A guerra na Ucrânia aproximou a Coreia do Norte da Rússia, fornecendo munições, armamentos e soldados para apoiar o esforço militar russo. Em troca, o regime recebeu recursos financeiros, tecnologia e maior cooperação estratégica, permitindo a reativação de setores industriais que estavam paralisados.

Ao mesmo tempo, a relação com a China está cada vez mais forte. O país reduziu a pressão diplomática sobre a Coreia do Norte, ampliou a cooperação econômica e reforçou o comércio bilateral, um fator considerado essencial para manter a economia funcionando. 

Os reflexos dessa recuperação já foram percebidos em Pyongyang, a capital da Coreia do Norte. Visitantes relataram uma cidade mais iluminada, com elevadores voltando a funcionar, aumento da circulação de carros elétricos, aplicativos de transporte e entrega de comida e a conclusão de grandes projetos de infraestrutura e turismo anunciados por Kim Jong-un.

O regime ficou mais rico, mas a população continua vivendo uma realidade muito diferente

Apesar dos sinais de recuperação econômica, o crescimento beneficiou principalmente o governo e a elite política instalada na capital. Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 45% da população norte-coreana ainda sofre com desnutrição, enquanto denúncias de violações de direitos humanos continuam sendo feitas por organismos internacionais.

Mesmo com mais recursos, o país mantém um rígido sistema de controle social. Desertores relatam punições severas para quem tenta fugir da Coreia do Norte ou até mesmo consumir conteúdos estrangeiros, como músicas de K-pop e séries produzidas na Coreia do Sul, desde trabalhos forçados à execuções públicas por fuzilamento. Durante a pandemia, o governo também endureceu o controle sobre os mercados informais, eliminando uma das principais formas de sustento de muitas famílias.

Além de fortalecer a economia, Kim Jong-un aproveitou esse novo momento para ampliar os investimentos militares. O regime continuou desenvolvendo seu programa nuclear, avançou na produção de novos mísseis balísticos e trabalha, segundo analistas, em projetos de submarinos com propulsão nuclear. Especialistas também apontam que o governo utiliza outras fontes de receita para contornar as sanções internacionais, incluindo operações de hackers ligados ao regime, que já foram acusados de roubar bilhões de dólares em criptomoedas.

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