Em um país onde milhões de pessoas ainda convivem com a dificuldade de acesso à água, uma solução totalmente inesperada surgiu a partir de materiais que normalmente iriam parar no lixo. Em 2023, no Recife, Lucas Figueiredo Medeiros, um estudante brasileiro de apenas 14 anos, desenvolveu uma bomba d’água movida exclusivamente pela força do vento, capaz de bombear água de poços e reservatórios sem uso de eletricidade. Feita com materiais recicláveis, como garrafas PET, sucata metálica e peças reaproveitadas, a invenção é até 70% mais barata que modelos convencionais e levou ao reconhecimento do jovem em competições científicas nacionais e internacionais.
A partir de um problema real, jovem inventou uma solução pensada para ser reproduzida em qualquer comunidade
Ideias geniais costumam nascer da tentativa de resolver problemas reais — e foi assim no caso de Lucas. Antes de pensar em hélices, eixos ou materiais recicláveis, ele se deparou com uma realidade enfrentada por milhões de brasileiros: comunidades rurais que se vêem obrigadas a caminhar longas distâncias em busca de água. O desafio não estava apenas na falta do recurso, mas na ausência de infraestrutura acessível que permitisse sua extração de forma contínua.
Observando essa realidade, Lucas pensou em possibilidades para resolver o problema. Ele propôs criar um sistema simples, barato e replicável, que não dependesse de energia elétrica nem de manutenção especializada. É por isso que ele optou por escolher por materiais recicláveis, pois acreditava que, quanto mais comuns os componentes, maior a chance de o projeto ser reproduzido em diferentes regiões. O resultado da ideia genial do jovem foi um protótipo pensado para funcionar de forma autônoma, com o mínimo de intervenção técnica, permitindo que moradores de áreas rurais consigam montar e operar o equipamento com apoio básico.
Com a força do vento, hélices e peças reaproveitadas, a bomba puxa água sem eletricidade
Detalhes da bomba desenvolvida por Lucas. Créditos: Arquivo pessoal
A eficiência do projeto criado por Lucas está menos focado na tecnologia, e mais pautado na forma como elementos simples podem resolver um problema concreto. Mas como ele funciona na prática? O funcionamento da bomba é direto: o vento aciona um conjunto de hélices conectadas a um eixo mecânico, que transfere o movimento para um sistema responsável por puxar a água de poços, cacimbas ou reservatórios próximos. Não há motores elétricos nem consumo de combustível, apenas energia eólica e mecânica.
Apresentado inicialmente em feiras de ciências escolares, o projeto se destacou rapidamente. Lucas conquistou medalhas em competições científicas no Brasil e, em 2024, recebeu um prêmio em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, voltado a iniciativas de energia limpa e soluções sociais de baixo custo.
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