A automedicação é um hábito bastante comum, mas potencialmente perigoso, especialmente quando envolve o uso de medicamentos de forma contínua. Aquela dorzinha no estômago que parece não ser nada demais, pode indicar um problema mais sério e persistir por semanas. O problema é que, a longo prazo, o uso de medicamentos indicados para tratar esses sintomas representam um risco à saúde.
Pelo menos é isso que revela um estudo brasileiro conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Segundo o estudo, o uso prolongado de omeprazol e outros inibidores da bomba de prótons, como o pantoprazol e esomeprazol, pode prejudicar a absorção de nutrientes essenciais e pode comprometer a saúde óssea. A pesquisa, realizada com ratos e publicada na revista científica ACS Omega, traz um alerta para o uso prolongado de medicamentos sem o devido acompanhamento médico.
Estudo revela que uso contínuo de omeprazol interfere na absorção de nutrientes
Para entender como o uso prolongado do medicamento afeta o organismo, os pesquisadores investigaram os efeitos sobre a absorção de minerais essenciais. A análise envolveu nutrientes como ferro, cálcio, zinco, magnésio, cobre e potássio. Nos animais que receberam o medicamento, foram observadas alterações importantes na forma como esses nutrientes se distribuem pelo organismo, com acúmulo no estômago e desequilíbrios em órgãos como fígado e baço.
No sangue, os resultados chamaram atenção para o aumento dos níveis de cálcio e a redução do ferro, uma combinação que pode aumentar o risco de desenvolver osteoporose e anemia. Também foram identificadas mudanças em células do sistema imunológico, sugerindo que os efeitos do medicamento vão além do sistema digestivo.
Uso prolongado desses medicamentos também compromete a saúde óssea
O experimento dividiu os ratos adultos em grupos que receberam omeprazol por períodos de 10, 30 e 60 dias, simulando diferentes cenários de uso prolongado em humanos. O que mais deixou os pesquisadores preocupados foi o aumento significativo de cálcio na corrente sanguínea, o que pode indicar a retirada do mineral dos ossos ao longo do tempo.
Medicamentos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol atuam reduzindo a acidez do estômago ao inibir a chamada bomba de prótons, mecanismo essencial para a produção de ácido gástrico. Embora essa ação alivie sintomas de refluxo, gastrite e úlceras, ela também dificulta a absorção de nutrientes que dependem de um ambiente ácido para serem assimilados corretamente.
Venda sem receita e uso contínuo de omeprazol preocupam pesquisadores sobre impactos à saúde
O omeprazol é um dos medicamentos mais populares no tratamento de desconfortos estomacais, muitas vezes utilizado por meses ou anos sem orientação médica. Para os pesquisadores, o problema não está na eficácia do fármaco, mas na banalização do seu uso, inclusive para sintomas leves como azia.
A preocupação tornou-se ainda maior após a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de liberar, em novembro de 2025, a venda de omeprazol 20 mg sem prescrição médica. O estudo também revelou que moléculas mais modernas da mesma classe, como pantoprazol e esomeprazol, atuam pelo mesmo mecanismo, e podem apresentar efeitos ainda mais intensos devido à ação mais potente e duradoura.
Ver 0 Comentários