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Os lucros da Nvidia jogam um balde de água fria em quem está esperando o estouro da bolha da IA

Outro trimestre recorde para a empresa, com lucros líquidos que são quase o dobro em relação ao mesmo período do ano passado

Jensen Huang / Imagem: Nvidia
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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A Nvidia acaba de publicar os resultados do quarto trimestre de seu último ano fiscal, deixando Wall Street sem palavras. Receita de 68,1 bilhões de dólares, lucro líquido que quase dobra em relação ao mesmo período do ano anterior e uma previsão para o trimestre seguinte que supera com folga as expectativas dos analistas. E tudo isso em um contexto turbulento, no qual modelos mais eficientes e outras alternativas começam a surgir. O baque do DeepSeek vai ficando para trás e a demanda por chips não desacelera. Vamos aos números em detalhes.

Apenas um punhado de empresas na história superou os 100 bilhões de dólares de lucro anual — Alphabet, Microsoft e Apple fazem parte desse grupo. A Nvidia acaba de se juntar a elas, com 120 bilhões de dólares de lucro nos últimos doze meses, segundo o relatório. A diferença está na velocidade: há apenas três anos, seu lucro anual era de 4,4 bilhões. Podemos dizer com certeza que nenhuma empresa de tecnologia havia crescido tão rápido nessa escala.

O motor que impulsionou esses lucros foi o negócio de data centers, que gerou 62,3 bilhões de dólares no trimestre, 71% a mais do que há um ano. Dentro desse segmento, se focarmos nos chips Blackwell, a receita passou de 32,6 bilhões para 51,3 bilhões, enquanto a área de redes (NVLink, Spectrum-X e InfiniBand) cresceu de 3 para 11 bilhões. A margem bruta chegou a 75% e o lucro por ação quase dobrou, alcançando 1,76 dólar nos termos GAAP (basicamente o conjunto de regras oficiais que as empresas seguem para demonstrar uma contabilidade transparente).

“Sem capacidade de processamento, não há como gerar tokens. Sem tokens, não há como aumentar a receita”, afirmou Jensen Huang, CEO da Nvidia, na reunião com investidores. Sua tese é que, na nova economia da IA, capacidade de computação equivale diretamente a receita para seus clientes. Por isso, os grandes provedores de serviços em nuvem (Google, Amazon, Microsoft e Meta) continuam elevando seus orçamentos de capex, que, juntos, devem superar 500 bilhões de dólares em 2026 para construir data centers de IA. E a Nvidia é a principal beneficiária desse investimento.

O DeepSeek não destruiu, mas sim acelerou

No início de 2025, a irrupção do modelo chinês DeepSeek provocou um abalo sem precedentes nos mercados, levantando uma pergunta simples: se a IA se torna mais eficiente, para que precisamos de tantos chips? A resposta dos resultados da Nvidia é que a eficiência não reduz a demanda por infraestrutura — ela a multiplica.

Cada melhoria na eficiência de inferência reduz o custo por token, o que incentiva mais empresas a implantar mais aplicações de IA, o que, por sua vez, exige mais capacidade de computação. É como o paradoxo de Jevons, mas aplicado à IA: a eficiência expande o mercado em vez de contraí-lo.

Na mesma teleconferência com investidores e analistas, Huang destacou que “a adoção empresarial de agentes está disparando”. Os agentes de IA — sistemas que tomam decisões e executam tarefas de forma autônoma — exigem muito mais ciclos de inferência do que chatbots. Eles representam o próximo degrau na cadeia de valor da IA, e a Nvidia volta a estar em uma posição privilegiada.

Colette Kress, diretora financeira da empresa, também confirmou que as primeiras amostras do Vera Rubin, a próxima geração de chips, já foram enviadas e que chegarão ao longo deste ano.

Mas nem tudo são boas notícias. A Nvidia reconheceu que sua previsão para o próximo trimestre (78 bilhões de dólares) não inclui receitas de computação na China. A empresa gerou apenas cerca de 60 milhões de dólares com os chips H20 desde que a administração Trump voltou a autorizar algumas vendas em agosto de 2025, segundo documentos apresentados à SEC, e ainda não obteve receita com os H200 aprovados mais recentemente.

A incerteza regulatória com Pequim continua sendo uma pequena pedra no sapato de Huang. Em paralelo, concorrentes como AMD, Broadcom e os próprios chips personalizados do Google (TPUs) estão ganhando espaço. Mas o CEO da Nvidia segue focado em sua visão. Como afirmou na reunião: “Toda empresa depende de software e todo software dependerá de IA”. Enquanto isso continuar sendo verdade, tudo indica que a Nvidia seguirá vendendo como pão quente.

Imagem | Nvidia

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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