Não é só o mar: rios e lagos com podem ter ondas gigantes e correntezas extremas — até mesmo um "tsunami" é possível

O maior megatsunami não foi em ambiente marítimo ou oceânico e alcançou ondas de mais de 500 metros

Onde em rio
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Quando pensamos em ondas gigantes e tsunamis, a imagem que vem à mente geralmente é a de um enorme paredão de água no oceano após um terremoto ou erupção vulcânica. Mas fenômenos parecidos podem (e de fato ocorrem) em ambientes não marítimos, como rios, lagos e baías.

Embora não sejam verdadeiros tsunamis (termo associado ao mar), processos físicos podem gerar ondas de grande amplitude e correntezas violentas em água doce.

Ondas gigantes e eventos extremos par além do mar e oceano

Ondas de represas em lagos interiores

Em lagos de origem vulcânica ou em regiões montanhosas, deslizamentos de terra podem desencadear ondas enormes. Um dos exemplos clássicos ocorreu na Baía de Lituya, no Alasca (embora tecnicamente seja uma baía, e não oceano aberto), em 1958, quando um deslizamento gerou uma onda que ultrapassou 500 metros de altura nas encostas, a maior onda já registrada. Esse evento não foi um tsunami oceânico, mas um impacto de massa que deslocou imensa quantidade de água, criando uma onda colossal.

Em ambientes puramente interiores, lagos podem ser atingidos por eventos similares. Por exemplo, avalanches subaquáticas em lagos alpinos ou montanhosos podem deslocar água rapidamente, gerando ondas destrutivas ao longo de suas margens.

Ondas por enchentes repentinas

Rios também são palco de ondas fortes, especialmente durante eventos de enchentes repentinas ou rompimento de barragens naturais. Em 1963, o rompimento da barragem de Silver Bridge sobre o rio Ohio (EUA) desencadeou um fluxo violento de água que matou dezenas de pessoas, embora não tenha formado uma onda gigante clássica, ilustra como correntes extremas podem ser tão perigosas quanto ondas grandes no mar.

Em rios estreitos e sinuosos, choques súbitos de corrente podem criar ondas hidráulicas — “surges” — que se propagam rio acima. Em alguns casos, barragens temporárias formadas por grandes troncos ou gelo podem ceder de forma abrupta, gerando ondas que se assemelham a mini-tsunamis fluviais.

O Silver Dragon

A China é provavelmente o maior exemplo com seu fenômeno "Silver Dragon" (Dragão Prateado ou Dragão de Prata). São ondas de até 9 metros que ocorrem no Rio Qiantang.

Você provavelmente já deve ter visto o fenômeno em algum lugar e facilmente confundiu com o mar, mas na verdade é um rio de água doce.


“Tsunami” fora do mar?

Quando falamos de um “tsunami” fora do oceano, é mais preciso usar termos como onda de impacto por deslizamento, onda de ressaca por enchente ou seiche

Um tsunami típico é definido por sua origem — geralmente um deslocamento abrupto do leito oceânico — algo que não ocorre em lagos ou rios. Mas os efeitos podem ser comparáveis em termos de altura de onda e força de impacto.

Portanto, rios, lagos e baías não são apenas cenários tranquilos; sob as condições certas, eles podem gerar fenômenos de água extremamente poderosos, lembrando que a água doce também tem seu lado selvagem.

Brasil não fica de fora, pois temos a pororoca

Pororoca é um fenômeno natural caracterizado por grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio. Vemos isso acontecer principalmente no Amazonas e ondas de até 6 metros já foram registradas.

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