Os celulares ficaram tão complexos que a Samsung teve de adicionar uma IA para que expliquem o que estão fazendo

A One UI 8.5 permite alterar configurações por voz e até perguntar ao celular por que ele se comporta da maneira como se comporta. A Samsung acredita que isso é um avanço

Celulares Samsung / Imagem: Samsung
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Há uma função na One UI 8.5 que diz mais do que parece. Ela se chama, na nomenclatura interna da Samsung, “assistente de ajustes por voz”: você pergunta ao celular por que a tela não apaga, e ele explica qual configuração está causando isso. Pergunta por que o volume diminui sozinho e ele indica onde está o ajuste que o controla.

No briefing dos Galaxy S26, isso foi mencionado quase de passagem, como um detalhe simpático entre novidades maiores e mais importantes, como as 3 IAs em 1 ou a tela com modo privacidade. Mas isso também merece certa atenção.

Durante anos, aprender a usar um celular fazia parte do pacote. Você explorava os menus, memorizava onde as coisas estavam, se acostumava às suas manias e reclamava quando trocava de marca e não encontrava nada. O manual de instruções desapareceu há muitos anos porque se presumiu que os telefones já eram intuitivos o suficiente para não precisar dele. E, por um tempo, eles realmente foram.

O problema é que os celulares não pararam de crescer. A cada geração são adicionados ajustes, modos, funções e camadas de personalização. A One UI 8.5 traz, só na seção de IA, mais de uma dúzia de funções novas. É o efeito árvore de Natal: vamos acumulando coisas sem nos desfazer das anteriores e acabamos com um trambolho ingovernável.

O sistema operacional de um celular moderno tem milhares de opções distribuídas em menus que às vezes estão onde se esperaria e, às vezes, não. E quando algo se comporta de maneira inesperada, encontrar o motivo pode levar vários minutos de busca ou, diretamente, uma consulta ao Google. Ou ao ChatGPT.

A Samsung decidiu que a solução para essa complexidade não é simplificar, mas adicionar uma camada que ajude a navegá-la. O celular já não espera que você o entenda: ele explica como funciona se você perguntar.

É um movimento pragmático. Os fabricantes estão há anos em uma corrida para adicionar funções que justifiquem a atualização anual — retroceder nesse caminho significaria cortar recursos que parte dos usuários de fato utiliza. Assim, a solução não é remover, mas traduzir, por isso uma IA que atua como guia dentro do próprio dispositivo.

O Google já tem funções semelhantes no Android puro e a Siri que os profetas prometeram talvez um dia chegue. O que a Samsung faz com a One UI 8.5 é ir um passo além: não apenas leva você até a configuração, mas explica por que aquele ajuste está afetando o comportamento que causa estranheza. É a diferença entre dar instruções e explicar o mapa.

A pergunta que fica no ar é até onde isso vai. Se o telefone precisa de uma IA para se explicar, o próximo passo lógico é que essa IA comece a tomar decisões por você: não apenas explicar por que a tela não apaga, mas apagá-la quando detectar que você não a está usando. Alguns dos agentic upgrades que a Samsung apresentou nos S26 já caminham nessa direção.

O celular que pergunta o que você quer fazer e o celular que deduz o que você quer fazer estão mais próximos do que parecem.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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