Cientistas confirmam que o corpo humano pode viver até 156 anos, mas curiosidades sobre o nosso DNA revelam uma falha biológica irreversível

Cientistas criaram um modelo para estimar o limite da vida humana e concluíram que as mutações acumuladas no DNA continuam sendo um grande obstáculo para a longevidade

100 anos
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Viver até os 100 anos hoje já é uma conquista que a maioria das pessoas não consegue alcançar. Mas, segundo um estudo publicado na revista científica npj Aging, do grupo Nature, esse limite pode estar muito longe da capacidade máxima do corpo humano. Pesquisadores desenvolveram um modelo matemático para calcular quanto tempo uma pessoa poderia viver caso os principais processos do envelhecimento fossem eliminados. O resultado mostrou que, mesmo nesse cenário hipotético, existe um obstáculo biológico praticamente impossível de evitar: as mutações que se acumulam naturalmente no DNA ao longo da vida, que limitam a longevidade humana a cerca de 156 anos.

Pesquisa simulou um corpo livre do envelhecimento para descobrir o limite

Para entender até onde a vida humana poderia se estender, os pesquisadores criaram um modelo que "desligava" os mecanismos conhecidos do envelhecimento. A proposta não era descobrir uma fórmula para viver mais, mas identificar quais fatores realmente determinam o limite biológico humano.

O estudo concentrou-se nas chamadas mutações somáticas, alterações espontâneas que surgem no DNA das células ao longo da vida. Diferentemente das mutações hereditárias, elas não são transmitidas aos descendentes, mas se acumulam de forma permanente conforme envelhecemos. Com o passar dos anos, esse processo compromete o funcionamento dos tecidos e aumenta a perda gradual de células.

Para chegar aos resultados, os cientistas utilizaram como referência um indivíduo suíço de 30 anos, considerado uma boa base por estar em uma faixa etária saudável e viver em um país com baixa taxa de mortalidade. A partir desse indivíduo o modelo estimou como diferentes órgãos responderiam caso apenas as mutações somáticas continuassem atuando.

Os resultados mostraram uma diferença importante entre os tecidos do corpo. Órgãos como o fígado conseguem manter suas funções por muito tempo devido à constante renovação de suas células. Já neurônios e células do músculo cardíaco praticamente não se regeneram, tornando-se os principais responsáveis por limitar a longevidade humana.

Quantos anos um ser humano pode viver no máximo?

Sem considerar qualquer processo de envelhecimento, o modelo matemático aponta que o corpo humano poderia sobreviver por cerca de 1.759 anos. Em simulações ainda mais extremas, esse limite chegaria a um número ainda maior: 29.221 anos. Mas a realidade é bem diferente dessa. 

Quando as mutações somáticas são incluídas na equação, a expectativa máxima despenca para aproximadamente 156 anos. Segundo os pesquisadores, isso acontece porque essas alterações se acumulam de forma irreversível em células que não conseguem ser substituídas naturalmente, como neurônios e cardiomiócitos, responsáveis pelo funcionamento do cérebro e do coração.

Ainda assim, os cientistas reforçam  que essas mutações não explicam, sozinhas, o envelhecimento humano. Segundo os autores, outros processos biológicos ligados ao envelhecimento também contribuem para reduzir a expectativa de vida, indicando que o desgaste do organismo resulta da combinação de diversos mecanismos, e não de um único fator.

Por isso, o objetivo da pesquisa não é criar tratamentos para que as pessoas vivam mais de 150 anos. A intenção é identificar quais processos causam maior desgaste ao organismo e, a partir desse conhecimento, desenvolver terapias que possam contribuir para preservar a saúde por mais tempo. Uma das possibilidades investigadas para o futuro envolve estratégias de substituição de neurônios danificados,  considerados hoje um dos principais limitadores da longevidade humana.


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