A maior revisão sobre cannabis chega em resultados claros: a erva não ajuda com ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático

Aparentemente os efeitos terapêuticos não são tão eficazes

Cannabis
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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Uma das maiores análises já realizadas sobre cannabis medicinal concluiu que o uso da substância não apresenta evidências de eficácia no tratamento de ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). O estudo foi publicado na revista The Lancet Psychiatry e reuniu dados de pesquisas conduzidas ao longo de 45 anos.

A revisão foi liderada por pesquisadores da Universidade de Sydney e analisou 54 ensaios clínicos controlados envolvendo diferentes condições de saúde mental. O resultado foi consistente: os estudos disponíveis não mostram benefícios confiáveis da cannabis para esses transtornos.

Isso chama atenção porque o uso da substância para saúde mental se tornou relativamente comum. Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, cerca de 27% das pessoas entre 16 e 65 anos relatam usar cannabis para fins medicinais, e metade afirma utilizá-la justamente para lidar com sintomas psicológicos.

Evidência fraca e possíveis riscos

Além de não encontrar eficácia consistente, os pesquisadores alertam que o uso frequente de cannabis pode trazer efeitos indesejados, como maior risco de sintomas psicóticos, dependência e atraso no início de tratamentos com eficácia comprovada.

O estudo também avaliou outras condições. Em alguns casos, como insônia, autismo e síndrome de Tourette, surgiram indícios de possíveis benefícios, mas a qualidade das evidências foi considerada baixa.

Há situações específicas em que derivados da cannabis já demonstraram utilidade clínica, como no tratamento de certos tipos de epilepsia, espasticidade associada à esclerose múltipla e alguns quadros de dor crônica. No entanto, os dados para transtornos mentais continuam inconclusivos.

Os pesquisadores destacam que o crescimento do mercado de cannabis medicinal tem ocorrido mais rápido do que a produção de evidências científicas robustas. Em muitos lugares, a prescrição se expandiu enquanto os estudos ainda tentam entender com clareza seus efeitos.

É claro que a análise não fecha o debate sobre o tema, mas mostra que a relação entre cannabis e saúde mental é bem mais complexa do que muitas vezes se imagina.

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