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Na China, grandes empresas de tecnologia recrutam pesquisadores antes mesmo de eles se formarem: a corrida pela IA começa nas salas de aula

Caçadores de talentos buscam desesperadamente engenheiros e pesquisadores

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Na China, a corrida pela IA envolve muito mais do que poder computacional e novos modelos: ela também gira em torno de talentos. O país é o maior celeiro de engenheiros e pesquisadores de IA do mundo, o que desencadeou uma verdadeira guerra entre as empresas de tecnologia para atrair esses profissionais —a ponto de alguns pesquisadores receberem propostas de emprego anos antes de concluir a graduação.

A informação foi publicada pelo jornal South China Morning Post. A escassez de talentos de alto nível está levando as grandes empresas de tecnologia chinesas, como Alibaba, ByteDance e Tencent, a recrutar pesquisadores antes mesmo de eles terminarem os estudos. A reportagem conta a história de Hu Qi, pesquisador especializado em segurança de agentes de IA que faz doutorado na Universidade de Hong Kong. Hu já estagia em uma grande empresa de tecnologia e afirma que seus superiores insistem constantemente para que ele assine um contrato de trabalho em tempo integral.

Há casos em que caçadores de talentos entram em contato com possíveis candidatos três ou até quatro anos antes da conclusão dos estudos. Normalmente, esses estudantes ainda estão na universidade, mas as empresas já estão indo além e começando a procurar candidatos entre alunos do ensino médio. Vahid Haghzare, diretor da agência de recrutamento Silicon Valley Associates Recruitment, afirma: "As empresas que esperam até a formatura para descobrir quem são os melhores graduados já perderam a disputa".

Esse recrutamento tão agressivo também está mudando as condições do mercado. O setor de tecnologia foi o que mais aumentou o orçamento destinado a salários, com uma alta de 4,6%, acima da média de 4,3% registrada nos demais setores. As empresas estão oferecendo remunerações em torno de 60 mil yuans por mês (cerca de R$ 45 mil), o equivalente a 16 vezes o salário médio nacional.

O salário é importante, mas não é a principal prioridade. Esses pesquisadores podem se dar ao luxo de ser seletivos e escolher trabalhar no lugar que mais os motiva. Haghzare afirma que a remuneração é apenas o terceiro ou quarto fator mais importante, enquanto eles valorizam mais "se têm recursos computacionais suficientes e se seus colegas fazem parte de uma equipe de primeira linha". Os pesquisadores mais jovens costumam preferir o ambiente das startups, enquanto os mais experientes tendem a optar pela infraestrutura consolidada das grandes empresas de tecnologia.

Imagem | Pang Yuhao (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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