O mercado XR (eXtended Reality, ou Realidade Estendida) vinha passando por uma fase meio estranha, em que todo mundo falava de futuro, mas poucas coisas realmente se concretizavam. Nas últimas semanas, no entanto, pudemos ver uma mudança de tendência: começam a chegar modelos com abordagens bem concretas. Agora, há propostas entre as quais escolher pensando em 2026.
Em uma conferência com investidores, a Samsung afirmou que está trabalhando em um modelo de óculos com foco em experiências multimodais e em IA aplicada ao dia a dia.
Não há data de lançamento, mas a mensagem aponta para 2026 como janela. E quando uma empresa grande começa a verbalizar isso em um contexto financeiro, geralmente significa que o projeto saiu da fase de laboratório.
As primeiras pistas apontam para um produto mais próximo da ideia de óculos como os que vemos todos os dias: sem tantas câmeras, microfones, alto-falantes ou dependência do celular.
Em outras palavras, a Samsung aposta mais na utilidade contextual do que em mundos virtuais permanentes. Essa abordagem se encaixa com o que está acontecendo no mercado atual: modelos que priorizam áudio, assistente e captura leves, em vez da realidade aumentada pura.
Essa leitura faz sentido do ponto de vista de como o Android XR está evoluindo. A plataforma vem recebendo funções que apontam para um ecossistema mais completo, porque é aí que a Samsung pode se apoiar para que os óculos não sejam um acessório isolado.
A chave não são os óculos, é o sistema que os cerca
Em um par de óculos, a lista de coisas que podem dar errado é grande. Pareamento e trocas entre dispositivos sem dramas. Baixa latência no áudio. Bateria que aguente um dia real. E uma IA que não te obrigue a falar com ela como se estivesse ditando um prompt perfeito.
Por isso, o anúncio se encaixa na direção que a Samsung vem impulsionando em outros produtos XR: transformá-los em parte do ecossistema, e não em um brinquedo isolado. Não é por acaso que, quando fez o balanço do fechamento de ano de sua divisão móvel, já falava de XR como uma peça estratégica, e não como uma demo.
Privacidade e aceitação social, o verdadeiro teste
Há um fator que pesa mais aqui do que em um relógio: óculos com câmera e microfone afetam terceiros. Se não houver controles claros, indicadores visíveis e uma narrativa crível de privacidade, o produto acabará sendo restrito a um nicho.
E a Samsung sabe disso porque, nos celulares, já faz tempo que insiste em camadas de segurança e controle. Nos óculos, porém, esse debate se torna muito mais imediato: não é apenas o que você aceita, é o que aceitam aqueles que estão ao seu redor.
O razoável é esperar uma primeira geração que não busque impressionar, mas se encaixar. Que sirva para se deslocar, ouvir, perguntar, capturar e resolver pequenas coisas sem tirar o celular do bolso a cada dois minutos. Se conseguirem isso, o mercado XR deixará de ser uma promessa futurista e se tornará parte do nosso dia a dia.
Imagens | Dall-E com edição, Samsung
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
Ver 0 Comentários