No meio automobilístico, ouve-se com frequência o famoso “era melhor antes”. E não é preciso colocar um microfone nos corredores da Rétromobile para escutá-lo: muitos entusiastas simplesmente lamentam a simplicidade perdida dos carros antigos — mais compactos, mais leves, sem assistências intrusivas. É difícil rebater completamente esses argumentos.
Exceto, talvez, quando se olha para o lado da segurança que, para a maioria, é o ponto de partida de todos esses males do carro moderno. Mas basta confrontar duas gerações de um mesmo modelo para perceber a evolução dos nossos automóveis em poucas décadas. Se, esteticamente, os entusiastas acharão um Golf II muito mais charmoso, não resta dúvida de que é muito melhor sofrer um acidente em um Golf VIII. E as imagens publicadas pela Dekra (multinacional de testes de inspeção), que lançou um pobre Golf de 1989 contra um muro, falam por si mesmas.
Avanços decisivos

Para o teste de colisão, o Golf II foi lançado a 64 km/h contra um obstáculo frontal deslocado, de modo a simular uma colisão frontal entre dois veículos idênticos circulando a aproximadamente 50 km/h. É preciso admitir que o resultado não foi nada animador. Segundo a Dekra, seus ocupantes teriam “poucas chances de sobrevivência”. De fato, a cabine “desmoronou”, os componentes do carro invadiram o interior e, como se vê claramente no vídeo, o motorista bate violentamente a cabeça em um volante que obviamente não possui airbag. Já a Golf VIII manteve o habitáculo intacto, com seus ocupantes protegidos por airbags frontais e laterais, além de pré-tensionadores de cinto de segurança: seus passageiros teriam saído apenas com ferimentos leves.
O peso da segurança
Para além do choque frontal, os testes de condução confirmam o salto técnico: frenagem 30% mais curta, estabilidade aumentada durante uma manobra de desvio a 75 km/h (contra 65 km/h para o Golf II), iluminação em LED oferecendo visibilidade muito superior aos faróis halógenos da época. Evoluções pouco espetaculares a olho nu, mas que determinam a capacidade de evitar o acidente — ou de sobreviver a ele. Se os carros modernos são mais pesados, isso se deve em grande parte a essas estruturas reforçadas e a esses sistemas de proteção. Segundo os especialistas da Dekra, esses avanços já permitiram salvar milhares de vidas na Europa. Mas o organismo adverte: na era dos gadgets conectados e das telas por toda parte, a segurança deve continuar sendo a prioridade. Pois, em um acidente, apenas a proteção integrada ao veículo faz a diferença.
Este texto foi traduzido/adaptado do site L’Automobile Magazine.
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