O que aconteceu? 100 robotáxis ficam paralisados ao mesmo tempo nas ruas da China

Mais de 100 robotáxis da Baidu ficaram imobilizados no meio do trânsito em Wuhan

Carros autônomos
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A tela no interior dizia: "Falha no sistema de condução. A equipe chegará em cinco minutos". Mas ninguém chegou. A passageira apertou o botão de SOS e disseram que estavam a caminho, mas levou 30 minutos só para que alguém atendesse o telefone. Enquanto isso, o robotáxi continuava parado no meio de uma faixa em Wuhan, com o trânsito passando pelos dois lados.

Isso foi o que aconteceu na noite de terça-feira, 1º de abril, na cidade chinesa de Wuhan: mais de cem carros autônomos da Apollo Go, a divisão de robotáxis da Baidu, deixaram de funcionar ao mesmo tempo por causa de uma falha no sistema. É a primeira vez que ocorre um apagão coletivo de robotáxis na China, o que expôs uma preocupação que o setor vem evitando há algum tempo.

A Baidu não é uma empresa pequena. A Apollo Go opera mais de 1.000 robotáxis só em Wuhan, seu maior centro de operação, e já acumulou mais de 20 milhões de viagens ao longo de sua história. A empresa acabou de iniciar operações em Abu Dhabi e Dubai, as duas principais cidades dos Emirados Árabes Unidos, está negociando sua entrada no Reino Unido e na Suíça e tem um acordo com a Uber para operar por meio do seu aplicativo.

Um incidente dessa magnitude não acontece em qualquer momento: ele ocorre justamente quando a empresa, assim como todo o setor, tenta convencer o mundo de que está pronta para escalar.

Os motivos

Tecnicamente, o incidente pode ser explicado de várias formas. Alguns veículos de comunicação chineses citaram fontes anônimas que apontaram para os sistemas de autoverificação de segurança que teriam detectado alguma condição anômala e parado os veículos de forma preventiva.

Se foi esse o caso, o sistema teria funcionado exatamente como foi projetado, mas o resultado foi caótico: carros parados em faixas centrais de vias rápidas, alguns passageiros presos por mais de 90 minutos, colisões causadas por veículos que frearam bruscamente em rodovias... O fato de ninguém ter se ferido é quase uma questão de sorte.

E não foi a primeira vez. Em dezembro de 2025, um apagão elétrico em San Francisco deixou os robotáxis da Waymo imobilizados por toda a cidade, obrigando a empresa a enviar atualizações de software para toda a sua frota.

Meses antes, em agosto, um Apollo Go caiu em uma vala em Chongqing; em maio, um carro da Pony.ai pegou fogo em Pequim, sem causar feridos. É fácil perceber um certo padrão: a condução autônoma em larga escala ainda não atingiu a confiabilidade necessária para justificar a confiança que está sendo pedida ao público.

O fato de os carros pararem já é um problema, mas pior ainda é não se saber o porquê. A Baidu não explicou o que causou a falha nem quanto tempo levou para resolvê-la. A polícia de Wuhan confirmou o incidente, mas sem fornecer mais detalhes sobre a causa.

Essa falta de transparência pesa tanto ou mais do que o próprio incidente, especialmente em um setor que, há anos, argumenta que seus carros são mais seguros do que os dirigidos por humanos.

Imagem | Baidu - Apollo Go

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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