Motor a combustão que consome apenas 3,3 litros a cada 100 km está em testes na Europa

Equipamento exige um combustível especial, feito a partir de resíduos orgânicos e sem uso de petróleo

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Enquanto a eletrificação parece varrer tudo pelo caminho, um motor a gasolina híbrido vem lembrar que a combustão ainda tem vantagens bem reais. Testado em estrada com o modelo Dacia Duster, ele registra um consumo de nada menos que 3,3 L/100 km com um combustível 100% renovável.

O coração do projeto se chama HORSE H12 Concept. No papel, seus números chamam a atenção: menos de 3,3 litros a cada 100 km no ciclo WLTP e uma eficiência térmica de 44,2%. Em termos absolutos, isso o coloca no topo do que se conhece hoje para um motor a gasolina de produção em massa, cujos melhores normalmente ficam em torno de 40% a 41%. Mas o mais interessante é que, além dos testes em bancada, ele foi avaliado em condições reais em um trajeto entre Valladolid e Móstoles, na Espanha, e inclusive foi tema de um vídeo com a mecânica e influenciadora de sucesso Irati Etxandi.

A chave do sucesso está tanto no motor quanto no combustível. © Horse A chave do sucesso está tanto no motor quanto no combustível. © Horse

Sob o capô, encontramos uma base conhecida, derivada do bloco de três cilindros HR12 da aliança Renault-Nissan. Mas o conjunto foi profundamente retrabalhado. A taxa de compressão sobe para 17:1, um nível particularmente elevado para um motor a gasolina. A isso se somam um sistema de recirculação de gases de escape de nova geração, um turbocompressor otimizado e uma ignição aprimorada. Tudo isso é combinado com uma transmissão híbrida revisada, com gestão energética refinada e lubrificantes específicos para reduzir as perdas mecânicas. O consumo anunciado é 40% inferior, em média, ao dos carros a gasolina registrados na Europa em 2023.

O combustível, peça central da equação

O novo motor da Horse foi projetado para funcionar com uma gasolina 100% renovável desenvolvida pela espanhola Repsol. Esse combustível, produzido a partir de resíduos orgânicos provenientes de atividades industriais, não contém nenhum traço de petróleo fóssil. Diferentemente das gasolinas convencionais, cuja cadeia de produção depende do refino do petróleo bruto e gera emissões significativas desde a extração, o Nexa 95 — esse é o seu nome — transforma resíduos como óleos usados, gorduras animais e subprodutos agrícolas em um combustível de índice de octanagem 95, perfeitamente compatível com todos os motores a gasolina existentes, sem necessidade de qualquer modificação.

Considerando que 97% da frota automotiva europeia ainda utiliza motores a combustão, impor uma eletrificação em massa implica uma renovação do parque que levará décadas. A Repsol, com sua primeira produção industrial iniciada em outubro de 2025 na planta de Tarragona, propõe aqui uma solução imediata. Combinada ao motor H12 Concept, ela permite reduzir as emissões em 1,77 tonelada de CO₂ por ano para um veículo equivalente que percorra cerca de 12.500 km anuais. No entanto, a difusão ainda é limitada por enquanto. Até o momento, apenas cerca de trinta postos de combustível na Espanha oferecem essa gasolina renovável. Uma nova fábrica é esperada em Puertollano em 2026, enquanto um projeto de combustíveis sintéticos está em preparação em Bilbao.

O combustível Nexa 95, por enquanto, está disponível em apenas 30 postos na Espanha. © Horse O combustível Nexa 95, por enquanto, está disponível em apenas 30 postos na Espanha. © Horse

Mas o que também é interessante é que, enquanto se aguarda a renovação da frota, melhorar a eficiência dos motores existentes e reduzir sua pegada de carbono pode ter um impacto imediato. E é exatamente isso que esse demonstrador destaca. Diferentemente de uma tecnologia totalmente nova, esse motor pode se apoiar em infraestruturas industriais já existentes.

A Horse Powertrain, joint venture pertencente à Renault e à Geely, com participação da Aramco, dispõe de uma capacidade de produção de cerca de cinco milhões de motores por ano. Suas fábricas em Valladolid e Sevilha, assim como seu centro de P&D na Espanha, constituem a base industrial desse projeto.

Por enquanto, nenhuma data de comercialização foi anunciada, mas o fato de o motor já funcionar em um veículo real muda a perspectiva, como ressalta Jesús Francés, diretor de estratégia e Advanced Engineering da Horse Technologies: “O inimigo é o CO₂, não a tecnologia. Esse conjunto de propulsão mostra que motores eficientes e combustíveis renováveis reduzem as emissões desde já, não daqui a 20 anos”.

Este texto foi traduzido/adaptado do site L’Automobile Magazine.


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