Os EUA tentaram prejudicar a Huawei por meio de proibições; a resposta da empresa: muito obrigada por tudo

Nada nem ninguém conseguiu deter a ascensão do gigante chinês

Os EUA tentaram prejudicar a Huawei por meio de proibições. Resposta da Huawei: Muito obrigada por tudo.
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Fabrício Mainenti

Redator

Segundo a Real Academia Espanhola (RAE), resiliência é a capacidade de um material, mecanismo ou sistema de recuperar seu estado inicial após a cessação da perturbação a que foi submetido. Segundo a indústria de tecnologia, resiliência é... Huawei. Após quase meia década de ataques frontais da administração dos EUA, a empresa chinesa acaba de alcançar seu segundo melhor resultado até o momento.

US$ 127 bilhões

A Huawei Technologies registrou mais de 880 bilhões de yuans (US$ 127 bilhões / R$ 683 bilhões) em 2025, de acordo com executivos da empresa.

Este é o segundo maior valor já registrado pela empresa, depois do recorde de 891 bilhões de yuans (US$ 129 bilhões / R$ 693,8 bilhões) alcançado em 2020.

O papel da China

Após o confronto iniciado pelo governo dos Estados Unidos, o plano nacional da China para a Huawei ficou claro: torná-la a principal empresa do país. No último ano, a empresa conseguiu garantir o primeiro lugar em vendas de celulares, superando a Apple, segundo dados da IDC.

O tsunami Harmony

Os Estados Unidos baniram a Huawei do ecossistema Android. A resposta não foi improvisar uma alternativa, mas fazer algo muito mais ambicioso: construir o seu próprio sistema operacional, o HarmonyOS.

Essa foi a chave para evitar o esquecimento. A Huawei não se limitou a desenvolver um substituto para o Android; ela conseguiu criar um ecossistema completo e integrado. Um sistema que conecta celulares, smartwatches, tablets e até carros elétricos sob a mesma arquitetura e serviços.

Segundo a própria Huawei, o HarmonyOS já está presente em mais de 100 milhões de smartphones (as estimativas de vendas de cinco anos atrás da crise apontavam para uma participação de apenas 10 milhões de unidades), e isso é só o começo.

Ambição

Nos últimos anos, a Huawei dobrou sua infraestrutura de inteligência artificial, apostando em seus chips Ascend, projetados internamente, e se tornando um ator fundamental no treinamento de alguns dos maiores modelos de IA.

Juntamente com sua parceira SMIC, e sem acesso à tecnologia EUV da empresa holandesa ASML, a Huawei conseguiu atrair a atenção de empresas como a Intel, cujos executivos alertaram, há poucos dias, que o banimento da Huawei estava tendo o efeito exatamente oposto ao pretendido.

Em resumo, vários pilares sustentam a ascensão da Huawei:

  • Forte apoio do governo chinês;
  • Uma estratégia clara para alcançar a autossuficiência tecnológica;
  • Investimento maciço e contínuo em P&D, mesmo durante os momentos críticos do embargo;
  • Construção de um ecossistema favorável que une hardware, software e serviços. Um ecossistema, além disso, aberto a outros fabricantes.

Sim, mas...

A Huawei continua a enfrentar o desafio de ter praticamente desaparecido do mercado de smartphones e tablets na Europa, bem como de convencer os consumidores na China de que seus telefones de ponta são uma alternativa melhor ao iPhone (a Huawei está ganhando em vendas, mas o iPhone ainda reina supremo no segmento de ponta, mesmo na China).

Apesar disso, a mudança de paradigma é clara: a Huawei está gerando a mesma receita que em 2020, apesar de ter perdido terreno fora de seu país de origem. Esta é a melhor prova de que tentar isolá-la do mundo ocidental pode não ter sido a melhor ideia.

Imagem de capa | Xataka


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