Na indústria do pornô, poucas carreiras duraram tanto quanto a de Lisa Ann. Ela começou no cinema adulto em meados dos anos 90 e se aposentou em 2014, após mais de duas décadas. No entanto, o que parecia uma aposentadoria definitiva acabou não sendo, porque Lisa Ann está de volta — ou melhor, seu avatar de IA.
A Wired reporta que a atriz voltou à indústria do entretenimento adulto por meio da OhChat, uma plataforma no estilo OnlyFans, mas na qual, em vez de pessoas reais, os usuários interagem com avatares de IA.
Ann, que afirma ser entusiasta da IA, considerou que essa era uma boa forma de continuar monetizando sua imagem sem precisar voltar ao pornô. “Mantém meu nome vivo e nunca vai envelhecer”, disse à Wired. Lisa Ann não é a única ex-atriz pornô na plataforma; há também outras como Cherie Deville, Tera Patrick e Brandi Love.
No OhChat, os usuários pagam um valor dependendo do tipo de interação que buscam com o avatar. Por 5 dólares, podem ter conversas de texto ilimitadas, mas, se quiserem imagens e áudios, precisam subir para 10 dólares, embora com limitações. Para ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada, o custo é de 30 dólares. Cada criador tem sua própria assinatura, assim como no OnlyFans, e a empresa fica com 20%. Existem outros aplicativos como Joi AI, SinfulX.AI e My.Club que oferecem conteúdos semelhantes.
Não só pornô (mas quase tudo pornô)
O OhChat já alcançou 400.000 usuários e conta com mais de 350 criadores (quase todos mulheres), embora, para nós, apareçam apenas 193. Cada avatar vem marcado com um ícone que indica se oferece conteúdo explícito, topless ou conteúdo “sexy”. Essa última categoria é onde estão perfis de celebridades fora do pornô, como a conhecida atriz Carmen Electra e também influenciadores. No entanto, o conteúdo explícito supera com folga o mais moderado; ao fazer uma busca, encontramos apenas 35 avatares que oferecem conteúdo “sexy” e 109 que produzem conteúdo sexual explícito.
Os deepfakes sexuais vêm dominando as manchetes há algum tempo; já houve multas e até o governo quer regulamentá-los. Recentemente, vimos o caso do Grok e como ele inundou o X com fotos de mulheres nuas, tudo sem o consentimento das afetadas, claro. Plataformas como o OhChat se apresentam como uma forma de criar e monetizar esses deepfakes sem intermediários. Para as criadoras, é uma maneira de gerar renda passiva e, no caso de perfis conhecidos como Lisa Ann, continuar explorando sua imagem sem precisar ficar diante de uma câmera.
Este é apenas mais um exemplo de uma tendência que ganha cada vez mais espaço: as pessoas estão criando vínculos com a IA. Há quem desenvolva relações de amizade, quem busque uma conexão romântica e, como neste caso, os que procuram satisfação sexual. O que, em 2013, era enredo de filme de Hollywood, hoje é uma realidade para muitas pessoas: a IA se tornou uma forma de companhia e muitas empresas enxergaram nisso uma oportunidade de negócio.
Imagem | Wikipedia, OhChat
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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