Tendências do dia

O Japão avança como um rolo compressor na indústria de chips e ameaça o domínio de Taiwan

A Fujitsu vai desenvolver chips de ponta de 1,4 nm para IA totalmente japoneses

Rapidus no Japão
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1823 publicaciones de Victor Bianchin

Se nos limitarmos ao campo da tecnologia, o Japão perdeu dois bondes muito importantes que não deveria ter deixado passar: a fabricação de chips semicondutores de ponta e o desenvolvimento de modelos avançados de inteligência artificial (IA). Em seu “Resumo da Estratégia para a Revitalização dos Semicondutores no Japão” de 2024, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês reconheceu o declínio de sua indústria de chips. Além disso, Fumio Kishida, ex-primeiro-ministro do Japão, declarou abertamente que seu país depende excessivamente dos EUA no cenário crítico da IA.

Seja como for, o Japão quer recuperar o tempo perdido. E a Fujitsu é uma de suas melhores apostas para retomar sua antiga glória. Segundo o Nikkei Asia, a empresa anunciou que vai desenvolver chips de ponta de 1,4 nm para IA totalmente japoneses. Esse projeto terá um custo de desenvolvimento de aproximadamente 363 milhões de dólares, embora — e isso é o mais importante — a fabricação desses circuitos integrados ficará a cargo da Rapidus, uma empresa que busca competir de igual para igual, no médio prazo, com a TSMC e a Samsung no mercado de produção de semicondutores para terceiros.

A Rapidus avança com passo firme

Atualmente, o Japão está investindo mais dinheiro em seu setor de circuitos integrados do que os EUA, a Alemanha, a França e o Reino Unido. Não em termos de valor absoluto, mas em relação ao seu produto interno bruto (PIB). Os EUA destinam 0,21% do PIB à indústria de semicondutores e a Alemanha, 0,41%. A França, segundo o Nikkei Asia, 0,2% e, por fim, o Reino Unido, 0,04%. A diferença é muito significativa e evidencia o esforço do Japão, que investe 0,71% do seu PIB.

Como era de se esperar, as empresas japonesas têm um papel de destaque no plano de reconstrução da indústria de chips do país. Tokyo Electron, Canon e Nikon são os principais projetistas e fabricantes de equipamentos de produção de circuitos integrados. E a JSR Corporation lidera a produção de materiais fotorresistentes. Curiosamente, é necessário aplicar esses fluidos sobre as pastilhas de silício com o objetivo de prepará-las para a transferência do padrão geométrico que define a distribuição dos transistores, das conexões e dos demais elementos que compõem um circuito integrado.

O surpreendente é que nenhuma das empresas mencionadas é a melhor aposta do Japão para impulsionar a competitividade de sua indústria de semicondutores. Nem mesmo a JSR, que, como vimos, lidera a fabricação de materiais fotorresistentes. A empresa destinada a competir de igual para igual com a TSMC, a Intel e a Samsung no mercado de produção de chips é a Rapidus Corporation, criada especificamente para recolocar o Japão na vanguarda dos circuitos integrados.

A Rapidus é uma empresa muito jovem. Foi fundada em 10 de agosto de 2022 pelo governo japonês com um capital inicial de 7,346 bilhões de ienes (um pouco menos de 46 milhões de euros), aportado por — e aqui está o ponto interessante — Sony, Toyota, NEC, SoftBank, Kioxia, Denso, Nippon Telegraph e MUFG Bank. O capital inicial investido na criação dessa empresa não é muito elevado, mas não há dúvida de que as companhias envolvidas têm uma relevância indiscutível nos setores de tecnologia, automotivo e telecomunicações.

A fábrica de produção de semicondutores de última geração que essa empresa instalou no norte do Japão, na cidade de Chitose (Hokkaido), iniciou em abril de 2025 os testes de processamento de wafers em uma linha piloto. O plano da diretoria dessa planta é começar a produção em larga escala de semicondutores de 2 nm em 2027. O que está fazendo com que essa unidade da Rapidus atraia a atenção do setor de semicondutores é que, segundo Atsuyoshi Koike, presidente da empresa, ela será completamente automatizada.

O objetivo é recorrer a robôs e à IA para desenvolver uma linha de produção automatizada especializada na fabricação de chips de 2 nm para aplicações de IA. Em resumo, o plano é produzir circuitos integrados mais rapidamente, com menor custo e maior qualidade. E, depois dos 2 nm, virão, como já vimos, os circuitos integrados de 1,4 nm.

Imagem | Gerada por Xataka com Gemini

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio