Se você considera o seu cachorro parte da família, a ciência tem algo a dizer: o seu cérebro também

Conviver com cães pode reduzir estresse, fortalecer vínculos emocionais e até impactar a saúde mental

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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Muita gente considera o cachorro o melhor amigo do homem. Eles são leais, carinhosos, companheiros e, não à toa, acabam ocupando um espaço cada vez mais importante dentro das famílias. Mas o que durante muito tempo parecia apenas uma questão emocional ou afetiva começou a chamar atenção da ciência. Estudos publicados por pesquisadores da Universidade Azabu, no Japão, e divulgados em revistas como a iScience, mostram que a convivência entre humanos e cães ativa mecanismos biológicos e neurológicos muito parecidos com os observados na relação entre pais e filhos. E talvez isso ajude a explicar por que, para tanta gente, o vínculo com um cachorro pode parecer tão profundo quanto o de um membro da própria família.

O cérebro humano reage aos cães como reage a vínculos afetivos profundos

tutora olhando para cachorro Estudos mostram que o contato visual entre cães e tutores pode ativar no cérebro mecanismos ligados ao apego, à confiança e à sensação de segurança

Quem convive com cachorro provavelmente já percebeu que existe algo diferente nessa relação. O animal percebe mudanças de humor, acompanha o tutor pela casa, espera na porta e muitas vezes parece entender emoções sem que uma palavra precise ser dita. E a ciência descobriu que esse comportamento vai muito além de carinho ou costume com o tutor. Estudos mostram que o cérebro humano reage à presença dos cães de forma extremamente parecida com vínculos afetivos profundos, ativando mecanismos biológicos ligados à confiança, proteção e sensação de segurança.

Pesquisadores japoneses identificaram que o simples contato visual entre cães e tutores pode estimular a liberação de ocitocina tanto no cérebro humano quanto no do animal. Conhecida como hormônio do vínculo, a substância está associada à confiança, sensação de segurança, acolhimento e apego emocional. O mais curioso é que o mecanismo funciona de maneira muito parecida com o que acontece entre mães e bebês humanos.

Segundo os especialistas, esse processo cria uma espécie de “loop emocional”, em que o cachorro olha para o tutor, o cérebro libera ocitocina, o tutor responde de forma afetiva e isso reforça ainda mais a conexão entre os dois. O estudo também mostrou algo curioso: lobos criados por humanos não apresentaram a mesma resposta hormonal, sugerindo que os cães desenvolveram essa habilidade ao longo da domesticação.

Além do aspecto emocional, o vínculo também produz efeitos físicos nos tutores. A convivência com cães pode reduzir níveis de cortisol, o hormônio ligado ao estresse, e ajudar o cérebro a entrar em um estado de maior relaxamento e segurança emocional. Para os pesquisadores, essa conexão pode ter se intensificado pela ausência de julgamentos, cobranças e conflitos que normalmente existem nas relações humanas.

Estudos indicam que conviver com cães pode influenciar até a saúde mental dos adolescentes

Os impactos da convivência com cães vão bem além de ter um companheiro amoroso. O estudo analisou 343 adolescentes no Japão e encontrou diferenças importantes entre aqueles que conviviam com cães e os que não tinham animais em casa. Os pesquisadores observaram que adolescentes donos de cães apresentavam menores índices de isolamento social, comportamento agressivo, problemas sociais e comportamentos considerados delinquentes. E o mais curioso é que a explicação pode não estar apenas no vínculo emocional.

A equipe também investigou o microbioma dos participantes e descobriu diferenças nas bactérias encontradas na saliva dos adolescentes que conviviam com cães. Depois, os cientistas transplantaram esses microrganismos para camundongos em laboratório. Os animais passaram a apresentar comportamentos sociais mais ativos e até sinais associados ao que pesquisadores chamam de “preocupação empática”.

Os cientistas acreditam que a convivência com cães pode influenciar tanto o funcionamento emocional quanto aspectos biológicos ligados ao microbioma. Ainda não existe uma resposta definitiva sobre como isso acontece, mas os resultados reforçam a ideia de que a relação entre humanos e cães é muito mais profunda do que imaginamos


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