A paranoia de Vladimir Putin atingiu um nível tão extremo que ele agora só dorme em bunkers e vigia os próprios funcionários dentro de casa

Relatórios de inteligência apontam que o presidente russo passou a viver sob um esquema extremo de isolamento e vigilância

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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Relatórios de inteligência europeus apontam que o Kremlin ampliou os protocolos de segurança ao redor de Vladimir Putin. Segundo documentos obtidos pela CNN e outros veículos internacionais, o presidente russo passou a restringir deslocamentos, reduzir aparições e intensificar o isolamento em instalações subterrâneas reforçadas.

Kremlin ampliou protocolos de segurança ao redor de Putin

De acordo com o relatório de inteligência divulgado, pessoas que trabalham diretamente com Putin passaram a seguir regras consideradas incomuns até mesmo para os padrões do governo russo.

Cozinheiros, fotógrafos, guarda-costas e funcionários próximos do presidente teriam sido proibidos de utilizar transporte público. Além disso, assessores autorizados a participar de reuniões presenciais precisam passar por múltiplas etapas de revista antes de entrar em contato com o líder russo.

Os documentos também afirmam que integrantes do círculo interno só podem utilizar celulares sem acesso à internet, numa tentativa de reduzir riscos de espionagem, rastreamento ou vazamentos de informações.

Outra medida que chamou atenção foi a instalação de sistemas de vigilância nas residências de funcionários ligados diretamente à rotina presidencial. A preocupação central seria impedir vazamentos internos e monitorar possíveis movimentações consideradas suspeitas.

Grand Kremlin Palace Moscow Sede do governo russo aumentou a segurança e medidas restritivas. Foto: Ed Yourdon/Wikimedia Commons

Putin passou a evitar residências tradicionais e viagens frequentes

Segundo o relatório, o Kremlin também reduziu drasticamente o número de locais frequentados por Putin desde o agravamento da guerra.

O presidente teria deixado de visitar com frequência residências conhecidas nos arredores de Moscou e também sua tradicional propriedade em Valdai, utilizada há anos como refúgio presidencial. Viagens para instalações militares também teriam sido reduzidas ou canceladas.

Para preservar a imagem de normalidade, o governo russo estaria recorrendo cada vez mais a vídeos pré-gravados divulgados posteriormente como se fossem registros recentes da agenda presidencial.

Os documentos apontam ainda que Putin vem passando períodos prolongados em bunkers reforçados na região de Krasnodar, próxima ao Mar Negro. Essas estruturas subterrâneas ganharam importância após o aumento dos ataques ucranianos com drones em território russo.

Imagem de Putin em uma tela de celular Segundo relatório, imagens de Putin são pré-gravadas para aumentar segurança. Foto: Shutterstock

Ataques internos e assassinatos elevaram temor de conspiração

O endurecimento da segurança teria sido acelerado após uma série de assassinatos e atentados envolvendo figuras militares russas. Após a morte do tenente-general Fanil Sarvarov, em dezembro de 2025. Segundo o relatório, o caso provocou uma reunião extremamente tensa entre integrantes do aparato militar e de inteligência do Kremlin.

Durante o encontro, o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, teria criticado duramente os serviços de segurança por falhas na proteção de oficiais militares de alto escalão. 

O documento afirma que Putin passou a considerar seriamente a possibilidade de vazamentos internos, sabotagem política e até uma tentativa de golpe de Estado dentro da elite russa.

Foto de capa: Shutterstock

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