Tendências do dia

A bateria que pode baratear carros elétricos não usa lítio: usa sódio

Gotion, empresa que tem a Volkswagen como maior acionista individual, apresentou uma nova tecnologia pronta para produção em massa

Imagem 1200x900
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora
ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora

As baterias de íon-sódio prometem há anos ser uma alternativa ao lítio, mas ainda não conseguiram decolar de vez. Agora, a Gotion High-Tech, empresa chinesa que tem o Grupo Volkswagen como seu maior acionista individual, deu um dos passos mais concretos até aqui: apresentou uma marca própria de baterias de sódio com produto pronto para ser fabricado em escala.

A novidade importa porque o setor automotivo ainda tenta resolver um dos grandes obstáculos dos carros elétricos: o custo das baterias. E, nesse ponto, o sódio aparece como uma alternativa interessante por ser muito mais abundante no planeta.

Surge uma revolução no mercado

As baterias de íon-lítio dominam há décadas o armazenamento de energia e a mobilidade elétrica. Mas elas carregam um problema estrutural: o lítio é um recurso concentrado geograficamente, com cadeias de fornecimento frágeis e dependentes de poucos países.

O sódio, por outro lado, está entre os elementos mais abundantes da Terra. Se a tecnologia de íon-sódio conseguir alcançar densidades energéticas competitivas e produção em grande escala, o cenário pode mudar bastante. É exatamente nisso que a Gotion quer apostar.

Baterias prontas para produção

Durante sua 15ª Conferência Global de Tecnologia, a companhia apresentou a Gnascent, marca que reúne três versões de baterias de íon-sódio.

A ideia não é criar uma única célula para todos os usos, mas sim desenvolver modelos diferentes para aplicações específicas. Segundo a empresa, as linhas de produção já estão prontas em Tangshan e Hefei, na China, com capacidade na ordem de gigawatts-hora.

Três versões para usos de bateria diferentes

A Gnascent foi apresentada em três variantes, cada uma voltada a um tipo de aplicação.

  • A versão de alta energia chega a 261 Wh/kg, cerca de 60% acima das baterias de sódio convencionais. Ela foi pensada para veículos elétricos leves e drones comerciais, segmentos em que o peso faz muita diferença;
  • A versão de potência tem 162 Wh/kg e suporta descarga em temperaturas de até -50 °C. O foco são veículos comerciais e equipamentos usados em regiões de frio extremo, onde o desempenho das baterias de lítio costuma cair bastante;
  • Já a versão voltada para armazenamento energético tem células de 180 Ah e mais de 20 mil ciclos de vida útil. Segundo a companhia, ela mantém 88% da capacidade a -40 °C e superou testes de perfuração com pregos de 8mm e aquecimento a 400 °C sem ignição. Por isso, pode se tornar uma opção para redes elétricas, instalações industriais e sistemas de energia de maior escala.

Como funciona a tecnologia

De acordo com a Gotion, a Gnascent é protegida por mais de 90 patentes relacionadas a materiais catódicos, ânodos de carbono duro e aditivos de eletrólito.

A empresa também destaca o uso de um design sem ânodo, conhecido como anode-less. Na prática, a proposta é reduzir o custo dos materiais e, ao mesmo tempo, aumentar a densidade energética das células.

Quem está por trás da aposta?

Fundada em 2006 e sediada em Hefei, na China, a Gotion High-Tech tem o Grupo Volkswagen como seu maior acionista individual.

No fim de 2025, a empresa somava capacidade produtiva acumulada de 400 GWh e 20 bases de fabricação espalhadas pelo mundo. No mercado chinês, é o terceiro maior fornecedor de baterias para veículos elétricos, atrás apenas de CATL e BYD, com participação de 6,6%, segundo o CarNewsChina.

A corrida não é só da Gotion

A Gotion não está sozinha nessa disputa. CATL e BYD também aceleram seus próprios programas de baterias de íon-sódio, sinalizando que essa química pode se tornar parte importante da próxima fase da eletrificação.

A questão, agora, é quem conseguirá desenvolver primeiro, com melhor desempenho e menor custo.

O que vem agora?

Por enquanto, a Gotion pretende levar a Gnascent principalmente ao mercado de armazenamento energético em grande escala. Isso inclui redes elétricas, instalações industriais e sistemas residenciais.

A companhia também mira aplicações menores, como veículos de duas rodas. O próximo passo será entender se a tecnologia conseguirá ganhar espaço comercial e se mais empresas vão apostar no sódio como uma alternativa real ao lítio.

Texto traduzido e adaptado do Xataka Espanha.

Inicio