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Trabalhadores tech estão entre os mais bem pagos. Ainda assim, metade teme perder espaço para a IA

Levantamento mostra que 65% dos trabalhadores tech receberam aumento recentemente, enquanto mais da metade teme que a IA destrua empregos no setor

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Carolina Rodrigues

Redatora
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O setor de tecnologia segue como um dos mais atrativos do mercado de trabalho espanhol. Os profissionais da área têm salários maiores, maior capacidade de poupança e mais confiança para pedir aumentos. Mas há um incômodo difícil de ignorar no meio dessa conta: a inteligência artificial.

Um estudo da InfoJobs colocou números nessa contradição. Segundo o levantamento, os trabalhadores do setor tecnológico vivem melhor do que a média dos profissionais espanhóis em quase todos os indicadores econômicos. Ao mesmo tempo, mais da metade teme que a IA acabe destruindo empregos na área, um percentual bem acima do registrado entre a população contratada em geral.

Salários melhores e mais satisfação

A percepção salarial dos profissionais de tecnologia alcançou nota média de 5,8 em uma escala de 0 a 10. Entre a população ocupada em geral, a avaliação fica em 5,2.

A diferença também aparece no nível de satisfação. No setor tech, 23% dos trabalhadores dizem estar muito satisfeitos com o próprio salário, contra 20% no conjunto dos trabalhadores. Já entre os insatisfeitos, o percentual é menor na tecnologia: 27%, contra 33% na média geral.

Essa percepção não vem do nada. Entre os profissionais tecnológicos, 43% recebem mais de 2 mil euros por mês. Na população ocupada em geral, esse percentual cai para 23%.

No outro extremo, a faixa salarial mais comum entre os trabalhadores espanhóis é a de 1.001 a 1.500 euros mensais, o que ajuda a explicar a distância entre o setor de tecnologia e o restante do mercado.

Boca no trombone e pedido de aumento

De acordo com o relatório da InfoJobs, 65% dos profissionais de tecnologia receberam algum aumento de salário nos últimos dois anos. O número fica sete pontos acima da média da população ocupada.

Além disso, os trabalhadores tech parecem mais dispostos a negociar. Entre eles, 31% pretendem pedir aumento à empresa, quase o dobro do percentual registrado entre os demais trabalhadores, que é de 17%.

As expectativas também são mais altas. Entre os que planejam pedir reajuste, 34% esperam uma alta superior a 5 mil euros brutos por ano.

Outro dado reforça essa vantagem econômica: os profissionais de tecnologia poupam, em média, 14% do salário, quatro pontos percentuais acima da média geral.

Nem o setor tech escapou da inflação

Apesar da posição mais favorável no mercado de trabalho espanhol, os profissionais de tecnologia também sentiram a perda de poder de compra dos últimos anos.

Segundo o levantamento, 37% afirmam que sua situação econômica piorou nos últimos dois anos. O percentual é quase igual ao da população ocupada em geral, de 38%.

Entre os trabalhadores tech, 29% dizem que sua situação melhorou, enquanto 34% afirmam que ela se manteve igual.

A perda de poder aquisitivo também afetou o consumo. Ao todo, 85% dos profissionais de tecnologia disseram ter cortado gastos. O número ainda fica abaixo da média geral, de 92%, mas mostra que nem salários maiores blindaram completamente o setor.

Os principais cortes aconteceram em lazer e tempo livre, férias e fugidinhas, além de compras pessoais e para casa.

O medo da IA virou o elefante na sala

O dado mais chamativo do estudo, porém, está no impacto da inteligência artificial. Os profissionais de tecnologia estão entre os que mais usam essas ferramentas, mas também entre os que mais temem suas consequências.

Segundo a InfoJobs, 52% dos trabalhadores tech têm medo de que a IA destrua empregos em sua atividade. O percentual supera em 13 pontos a média da população ocupada na Espanha, que é de 39%.

O resultado revela um paradoxo importante: justamente quem está mais próximo da tecnologia também parece enxergar com mais clareza os riscos que ela pode trazer para o próprio trabalho.

Texto traduzido e adaptado do Xataka Espanha.

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