“Os computadores quânticos representarão uma ameaça significativa aos padrões criptográficos atuais". Essas são as palavras do Google em uma publicação recente que busca chamar a atenção para as fronteiras quânticas, que estão mais próximas do que parecem.
Isso porque, tendo recentemente definido uma data para a era pós-quântica, a empresa agora afirma saber como quebrar a criptografia do Bitcoin com computação quântica.
E é tão incrível que eles conseguem interceptar transações antes mesmo que o blockchain as verifique.
A Era da Criptografia Pós-Quântica (PQC)
O Google está muito ativo no tema da era quântica. A empresa possui uma equipe — Quantum AI — focada em pesquisar essa tecnologia e como se proteger contra ela, e há alguns dias compartilhou uma meta ambiciosa com o mundo: todos os seus sistemas estarão prontos para a era da criptografia pós-quântica até 2029.
Isso não significa que em três anos haverá computadores quânticos em todos os lugares: trata-se de um prazo autoimposto para migrar todos os seus sistemas de segurança para a criptografia pós-quântica, ou PQC.
É uma camada de segurança superior, projetada para resistir a ataques de computadores quânticos e garantir que dados como chaves e assinaturas digitais permaneçam criptografados a longo prazo. Isso porque um computador moderno levaria séculos para quebrar essas cifras, mas um computador quântico poderia fazê-lo em um "piscar de olhos".
Menos de 10 minutos
Mas o Google não se limitou a uma declaração de intenções. Em um estudo conduzido em conjunto com a Universidade Stanford, o Departamento de Ciência da Computação da Universidade Berkeley e a Fundação Ethereum, o Google detalha que um computador quântico poderia derivar a chave privada de uma carteira Bitcoin em apenas nove minutos.
Eles apontam que quebrar a segurança dessas carteiras exigiria 500 mil qubits físicos, 20 vezes menos do que as estimativas anteriores de dez milhões. E não se trata apenas de quebrar a segurança; a velocidade é tão alta que, em cerca de 41% dos casos, eles podem interceptar e redirecionar uma transação antes que o restante da cadeia a confirme.
Responsabilidade
Na declaração, o Google assume o mérito, reivindicando sua responsabilidade em liderar este campo e transmitir a urgência de acelerar a transição das grandes empresas digitais para a era da Criptografia Quântica Probabilística (PQC).
Quanto mais cedo essa migração de sistemas de segurança for concluída, mais cedo a segurança das assinaturas digitais estará garantida. Mas, é claro, se alguém entrar no estudo esperando encontrar pistas, o Google já eliminou algumas pontas soltas.
Eles não publicaram os circuitos e movimentos reais, mas sim uma simulação que permite à comunidade criptográfica verificar a estimativa sem fornecer um manual para potenciais atacantes. Além disso, detalham uma vulnerabilidade de longo prazo, segundo a qual 6,9 milhões de bitcoins armazenados em carteiras cujas chaves foram vazadas em violações de segurança são os mais vulneráveis a ataques quânticos, mesmo fora da janela de transação.
Preparação com a cabeça fria
É evidente que o Google está divulgando isso para conscientizar, mas a indústria também vem trabalhando nisso há anos. A Microsoft quer iniciar sua migração até 2029, a Comissão Europeia está pressionando para que isso aconteça até 2030, e as agências federais dos EUA pretendem fazê-lo entre 2030 e 2035. E a indústria do Bitcoin também tem algo a dizer.
Justin Drake, pesquisador de segurança do Bitcoin, descreveu o progresso do Google como "interessante" e comentou que, embora "haja pelo menos 10% de chance de que, até 2032, um computador quântico recupere uma chave privada ECDSA secp256k1 a partir de uma chave pública exposta, agora é a hora de começar a se preparar".
Também é necessário abordar a questão com serenidade e evitar criar pânico infundado. Shiv Shankar, CEO da Boundless, comentou que "não há motivo para pânico", pois "as mentes mais brilhantes do mundo estão se concentrando nesse problema".
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