Se você tem esse costume ao dormir, a ciência tem um alerta urgente: o risco de infarto é muito maior do que se pensava

Estudo revela que dormir tarde aumenta em 79% o risco de saúde cardiovascular ruim

Foto: Cottonbro/Pexels
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Um estudo publicado pela Associação Americana do Coração revelou que cronotipos - a preferência natural do corpo por horários de sono - podem ser um indicador silencioso de riscos cardíacos. Depois de analisar mais de 300 mil adultos com idade média de 57 anos, pesquisadores descobriram que indivíduos 'noturnos' apresentam maior risco de infarto.

O estudo tem como base o UK Biobank, uma das bases biométricas mais completas do mundo. A conclusão dos estudiosos ainda destaca que o impacto é mais significativo entre as mulheres.

Pesquisadores analisaram diferentes tipos cronotipos

Cronotipos são predisposições genéticas. Eles definem o ritmo biológico natural e determinam os melhores horários para dormir, acordar e realizar atividades variadas. Os cronotipos podem ser: 

  • Matutinos: pessoas que precisam ir para cama mais cedo. Geralmente dormem entre 22h e 6h;
  • Vespertinos: esse cronotipo apresenta picos de energia no fim da tarde ou à noite. O sono costuma ser entre as 3h e 11h;
  • Intermediários: sono entre meia-noite e 8h. É o cronotipo mais comum, presente em cerca de 50% da população.

No estudo, 8% das pessoas analisadas se autodefiniram como noturnos e relataram o costume de dormir às 2h da madrugada. Mais de 25% dos participantes foram classificados como matinais, indo para a cama por volta das 21h. O restante, cerca de 67%, se enquadrou no cronotipo intermediário. 

Os pesquisadores analisaram a saúde vascular dos participantes com base na dieta, atividade física, tabagismo, qualidade do sono, peso, colesterol, níveis de açúcar no sangue e pressão arterial.

Maior chance de infarto e AVC em pessoas noturnas

A análise dos fatores concluiu que o cronotipo noturno está diretamente associado a uma pior saúde cardiovascular, com um risco 79% maior de o indivíduo apresentar pontuações negativas em testes vasculares - em comparação a perfis diurnos e intermediários.

Além disso, ao longo de 14 anos de acompanhamento, pessoas noturnas apresentaram 16% mais chances de sofrer um infarto ou um AVC

A análise por gênero apontou que esse impacto é ainda mais severo na saúde vascular das mulheres.

Por que o hábito noturno é prejudicial?

De acordo com os estudiosos, a maior parte do risco em pessoas noturnas está relacionada a hábitos prejudiciais ao coração. Indivíduos com o cronotipo noturno apresentam mais chances de dormir mal, fumar mais e se alimentar inadequadamente. Tais práticas são danosas ao sistema cardiovascular.

“As 'pessoas noturnas' frequentemente experimentam desalinhamento circadiano, o que significa que seu relógio biológico interno pode não coincidir com o ciclo natural de luz do dia e da noite ou com seus horários diários típicos”, Sina Kianersi, um dos autores do estudo e pesquisador associado de distúrbios do sono e circadianos do Hospital Brigham and Women's e da Harvard Medical School.

Segundo  pesquisadores, o desalinhamento do sono com o ciclo natural da luz aumenta a probabilidade de praticar hábitos que afetam diretamente a saúde cardiovascular.

Foto de capa: Cottonbro/Pexels


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