O cenário da fotografia mobile tem reis indiscutíveis, todos originários da mesma região geográfica: a China. Os mais recentes flagships da Vivo, Oppo e Xiaomi ostentam, sem dúvida, o melhor hardware fotográfico. E entre essas marcas, uma surpreendentemente se destaca: a Huawei.
Ela conseguiu coroar seu Pura 80 Ultra com a maior pontuação nos testes do DXOMark, demonstrando uma notável façanha de engenharia graças à sua câmera com lente retrátil.
Por que isso foi uma surpresa? Embora a Huawei venha produzindo smartphones flagship com excelente fotografia há anos, no ano passado ela estreou sensores fabricados internamente, produzidos por sua parceira chinesa SmartSens. Agora, de acordo com relatos no Weibo, a Huawei concluiu com sucesso o desenvolvimento de seu primeiro sensor CMOS full-stack de uma polegada.
Esse componente não só contribuirá para a qualidade do aparelho, como também protegerá o futuro da divisão de smartphones da Huawei de fornecedores terceirizados.
O segredo por trás do novo "olho" da Huawei
Alcançar uma polegada em um celular não é apenas uma estratégia de marketing. Na fotografia, o tamanho do sensor faz toda a diferença: um sensor físico maior significa mais luz, oferece uma faixa dinâmica superior e gera um efeito bokeh óptico que a IA ainda não consegue emular perfeitamente.
Módulo de câmera Huawei Pura 80 Ultra. Imagem: Noelia Hontoria para Xataka
Este novo sensor, fabricado pela própria Huawei, possui resolução de 50 megapixels e continua a utilizar uma das características mais icônicas da marca: a matriz RYYB. Essa tecnologia, implementada na era do P30 Pro, substitui os pixels verdes tradicionais por pixels amarelos, o que, em teoria, permite que 40% mais luz chegue ao sensor.
Embora exija um ISP complexo para reconstruir as cores com precisão, os resultados em fotografia noturna tendem a ser melhores.
Além disso, há o "DCG HDR" (Dual Conversion Gain): esse sistema permite que o sensor capture a mesma cena com dois níveis de ganho diferentes simultaneamente. O resultado é uma imagem final que combina as duas fotos para eliminar ruídos em áreas escuras e evitar que as altas luzes estourem a cena.
Paralelamente a este modelo, a Huawei também teria desenvolvido formatos menores: sensores de 1/1,3", 1/1,56" e 1/2,5" para alimentar as lentes telefoto e ultra-angulares da futura série Huawei Pura 90.
Um marco de soberania tecnológica
Além dos megapixels ou do tamanho do sensor, a existência deste hardware é mais uma declaração geopolítica. Historicamente, o mercado de sensores CMOS tem sido dominado por um duopólio bem conhecido: a japonesa Sony e a sul-coreana Samsung.
Romper com esse domínio era um objetivo fundamental para a China em seu plano de autossuficiência, dominando a fabricação de hardware, desta vez no segmento de smartphones.
Se analisarmos os movimentos mais recentes da gigante chinesa, as peças do quebra-cabeça se encaixam. A empresa já projeta e fabrica seus próprios chips: o Kirin, graças às fundições da SMIC. Conquistou total independência do Google e do Android com o lançamento do HarmonyOS Next. E, por meio da HiSilicon, está começando a trabalhar em controladores internos para suas telas OLED.
As câmeras eram a última linha de defesa que os EUA podiam usar para pressionar a cadeia de suprimentos da Huawei. Ao projetar seus próprios sensores, a empresa sediada em Shenzhen garante que ninguém poderá impedi-la de fabricar um smartphone premium.
Quando a próxima série Huawei Pura 90 for lançada, ela não estará apenas competindo pela melhor lente telefoto dupla (de acordo com vazamentos); será uma vitrine fabricada inteiramente na China.
Imagem de capa | composição de Huawei e Sony
Ver 0 Comentários