Neste momento, a China é o auge da robótica. Não apenas pelo nível avançado de seus robôs, mas porque já os está colocando para trabalhar em fábricas, lojas e museus. Isso não é teoria, é prática — graças ao apoio governamental e, sobretudo, ao fato de que os componentes necessários para fabricar um robô são produzidos na própria China. Essa vantagem essencial não existe em nenhum outro país.
Há uma grande quantidade de startups de robótica e, embora os humanoides sejam os mais chamativos, são os robôs quadrúpedes que geram dinheiro. Um artigo do SCMP mostra como esses robôs estão se tornando os principais impulsionadores do negócio. A AgiBot é uma dessas empresas e acaba de ampliar seu portfólio com a criação de uma filial — AgiQuad — focada exclusivamente em modelos quadrúpedes.
A justificativa é que eles consideram que isso é o que vai impulsionar o negócio da robótica e não querem que seu cão robô viva “à sombra de um robô humanoide”. Ou seja, em vez de lançar sob a mesma marca um robô humanoide e um quadrúpede — e fazer com que os clientes tenham que escolher (e comparar) — preferem garantir que cada ramo do negócio opere um tipo diferente de robô.
A AgiQuad prevê se tornar um negócio de 500 milhões de yuans (cerca de 73 milhões de dólares) ainda este ano, com crescimento até 10 bilhões de yuans até 2030, alcançando 300 mil unidades enviadas anualmente. Por enquanto, afirma que já tem tudo vendido e que continua produzindo unidades porque o estoque está completamente esgotado. E não é a única.
Outras empresas, como a Amap e a gigante Alibaba, querem entrar nessa disputa dos robôs para enfrentar a Unitree, mas no segmento de robôs de quatro patas. Estima-se que a divisão de robôs quadrúpedes da Unitree tenha gerado 490 milhões de yuans em receita apenas nos três primeiros meses de 2025. Ou seja, em apenas três meses, gerou praticamente o mesmo que a AgiQuad espera faturar em todo o ano. E a Deep Robotics também está tendo bons resultados nesse setor.
Implantação
Segundo análises da IDC, o mercado de robôs quadrúpedes gerou 180 milhões de dólares em 2024 e deve alcançar 700 milhões este ano. A estimativa é que o segmento chegue a 50 bilhões de yuans, cerca de 7,329 bilhões de dólares.
E a pergunta é: para onde estão indo esses robôs? Muitos vão para exposições e feiras, onde as startups chinesas demonstram sua capacidade tecnológica, mas outros já estão operando em campo. A China quer robôs quadrúpedes “civis”, como os de assistência para pessoas cegas, mas também está implantando unidades entre os bombeiros e dentro do exército chinês, em funções de apoio, reconhecimento e ataque.
Esse cenário faz sentido se levarmos em conta vários fatores. O primeiro é o mais prático: os robôs quadrúpedes já têm anos de desenvolvimento e análise e já demonstraram ser muito úteis em diversos contextos. O exército chinês não é o único a utilizá-los e nos EUA, por exemplo, esses robôs já começaram a ser implantados em tarefas de vigilância de centros de dados.
O segundo motivo é que esses anos de pesquisa e desenvolvimento fizeram com que os robôs quadrúpedes se tornassem cada vez mais baratos de produzir, permitindo escalar a fabricação e aumentar as margens dos fabricantes. Os preços também estão caindo, o que facilita a adoção por diferentes setores.
Justamente por isso, os robôs quadrúpedes podem se tornar um produto comercial viável para essas mesmas empresas que continuam impulsionando o desenvolvimento e a comercialização de robôs humanoides. A própria Unitree, mencionada anteriormente, começou a vender seu modelo R1 por meio do AliExpress, com lançamento previsto para EUA, Japão e Emirados Árabes. O preço? 8.200 dólares.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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