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Vídeo: Xiaomi coloca seu robô humanoide para trabalhar em uma fábrica real

A empresa vê esse ensaio como um primeiro passo rumo ao uso de robôs humanoides em ambientes industriais

Robô humanóide
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Por anos, ouvimos a mesma promessa: robôs humanoides trabalhando lado a lado conosco em fábricas, armazéns e até mesmo em nossas casas. É uma ideia que reaparece repetidamente. No entanto, quando saímos desse cenário idealizado e vamos para a vida real, a história muda bastante. Em uma fábrica, não basta caminhar ou pegar objetos; tudo precisa acontecer com precisão e repetir-se muitas vezes sem erros. Nesse contexto, cada pequeno avanço passa a ter um significado diferente.

Lei Jun, fundador, presidente e CEO da Xiaomi, publicou uma mensagem em sua conta oficial no WeChat para atualizar o estado do projeto de robótica da empresa. O executivo explica que um robô humanoide desenvolvido pela companhia já começou a “fazer estágio” dentro de uma de suas fábricas de automóveis. O dirigente também compartilhou um artigo técnico no qual são descritos os primeiros testes realizados com o robô em condições reais de fábrica.

Segundo o texto, o robô humanoide foi colocado à prova em uma etapa muito específica do processo de fabricação de automóveis: a colocação de porcas autorroscantes em peças do assoalho do veículo. Na prática, o sistema coleta essas porcas de um equipamento automático de abastecimento e as deposita no dispositivo de posicionamento onde, posteriormente, é realizado o aparafusamento automatizado da estação. A empresa chinesa informa que essa operação ocorre na oficina de fundição sob pressão e é realizada nos componentes do assoalho do veículo, já depois de concluído esse processo.

Três números que ajudam a entender o teste

A Xiaomi explica que o robô humanoide realizou esse trabalho durante três horas de funcionamento autônomo contínuo nesse posto. Nesse período, alcançou uma taxa de sucesso de 90,2% na colocação simultânea das porcas em ambos os lados da peça, percentual que a empresa define como o número de operações corretas em relação ao total de tentativas realizadas. Outro dado que chama atenção é o ritmo de trabalho, já que o sistema conseguiu se ajustar a um ciclo de produção de até 76 segundos. Trata-se de um número relevante porque, em uma linha industrial, cada operação precisa se encaixar em tempos muito específicos para que o processo não seja interrompido.

A Xiaomi afirma que seu robô humanoide se baseia no modelo Xiaomi-Robotics-0, descrito como um modelo do tipo VLA que integra visão, linguagem e ação em um único sistema. Segundo a empresa, essa abordagem facilita que o robô compreenda as tarefas que deve realizar, perceba o ambiente ao seu redor e execute os movimentos necessários para concluí-las. O treinamento também é complementado com aprendizado por reforço, uma técnica que permite ao sistema aprimorar seu comportamento a partir da experiência acumulada no mundo físico.

Em sua descrição técnica, a Xiaomi também aponta vários cenários em que a operação pode falhar. Um dos principais problemas surge durante o processo de alinhamento entre a porca autorroscante e o pino de posicionamento, que precisa ficar bem centralizada e assentada antes que o aparafusamento avance. Se esse encaixe não for suficientemente preciso, pode ocorrer um travamento durante o processo e a montagem fica incompleta. Além disso, a orientação da porca na mão do robô pode variar a cada pega, e a empresa menciona fatores que dificultam o ajuste, como a estrutura estriada do interior da porca, a força de atração magnética do pino e, em alguns casos, interferências do ambiente ou limitações do ângulo de trabalho.

Parafuso

O predecessor

Para entender melhor esse avanço, vale lembrar que a Xiaomi já vem explorando o campo dos robôs humanoides há algum tempo. Em 2022, a empresa apresentou o CyberOne, um protótipo que apareceu em um de seus eventos demonstrando capacidades básicas como caminhar ou segurar objetos. Naquele momento, a própria companhia deixou claro que se tratava de um projeto em fase inicial de desenvolvimento. O que vemos agora parece estar em outro estágio: menos demonstração em palco e mais testes dentro de uma planta industrial, onde o objetivo é verificar se essas máquinas podem atender às exigências de um processo repetitivo.

A empresa também dá a entender que esse experimento é apenas parte de um projeto mais amplo. A Xiaomi afirma que está testando seus robôs humanoides em vários postos de trabalho dentro da fábrica, entre eles tarefas de transporte de caixas e operações relacionadas à instalação de elementos externos do veículo. Inclusive, em sua publicação no WeChat, Lei Jun afirma que a companhia quer contribuir para a implantação de robôs humanoides na manufatura inteligente e projeta uma previsão de médio prazo. Segundo sua estimativa, poderá haver grandes quantidades dessas máquinas trabalhando em suas fábricas nos próximos cinco anos.

Imagens | Xiaomi

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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