Quatro drones da NASA viajarão até onde nenhum astronauta jamais chegou: o polo sul da Lua

Antes de a humanidade pisar lá, as máquinas farão o trabalho pesado para identificar áreas seguras e mapear recursos valiosos.

drones da NASA viajarão até a Lua
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ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora
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A Lua já é uma velha conhecida da exploração espacial humana, mas ainda existem partes que nunca foram descobertas ou pisadas. Ter uma base espacial permanente por lá vai simplificar muito as futuras missões, mas, antes de erguer qualquer estrutura, a NASA precisa riscar um item crucial de sua lista: explorar o polo sul lunar. Afinal, esse é o lugar com mais chances de abrigar a nossa futura colônia. Só que, antes de os humanos chegarem, uma frota de robôs fará o serviço por meio da missão Moonfall.

Quatro drones e um destino inédito

Planejada para 2028, a missão Moonfall enviará quatro drones robóticos para sobrevoar e pousar no Polo Sul da Lua pela primeira vez na história. O grande objetivo é encontrar locais seguros de pouso para os futuros astronautas do programa Artemis

Cada um desses drones pesará cerca de 250 kg, com 1,2 metro de altura e 2,1 metros de diâmetro. Por dentro, eles carregam um pacote tecnológico avançado: 

  • Sistema de imagem: para mapear e fotografar o terreno em alta definição.
  • Espectrômetro de nêutrons: feito exclusivamente para detectar água sob a superfície lunar.
  • Espectrômetro de radiação e retrorefletor laser: para que a equipe de controle na Terra consiga saber a localização exata de cada um com precisão. 

Os robôs devem operar de forma intensa durante um dia lunar completo (o que equivale a 14 dias na Terra). Mesmo após esse período, os instrumentos continuarão funcionando por meses, aguentando o frio extremo de -130 °C da noite lunar. 

Por que o polo sul lunar é tão importante?

Essa região concentra várias crateras que ficam permanentemente na sombra, locais onde a ciência já confirmou a presença de gelo de água. Esse gelo é a chave para tudo: a partir dele, os astronautas poderão obter água potável, oxigênio e até combustível para foguetes.

Sem esses recursos locais, tudo teria que ser levado diretamente da Terra, o que tornaria os custos de uma base lunar completamente inviáveis. O problema atual é que essa área nunca foi mapeada com detalhes suficientes para garantir pousos sem acidentes — e é aí que entram os drones da Moonfall

O cenário da nova corrida espacial

O grande plano do programa Artemis é levar humanos de volta à Lua (algo que não acontece desde a missão Apollo 17, em 1972) e criar uma presença comunitária fixa por lá. Com a missão Artemis III agendada para o meio de 2027, a NASA corre contra o tempo com projetos paralelos. Os dados coletados pelos drones serão fundamentais para definir onde a base principal será construída. 

Atualmente, os Estados Unidos e outros 66 países assinaram os Chamados Acordos Artemis, um pacto com princípios básicos para a exploração pacífica da Lua. Só que o documento funciona mais como uma intenção do que uma lei obrigatória. A China, por exemplo, não faz parte do grupo, está correndo por fora e tem seu próprio programa espacial focado exatamente no mesmo polo sul lunar. Em resumo: o local virou o novo objeto de desejo geopolítico mundial. 

Como será a viagem?

A empresa privada Firefly Aerospace foi a escolhida pela NASA para construir a espaçonave que transportará a frota de robôs. A companhia texana ganhou muita confiança após o seu módulo Blue Ghost se tornar, em março de 2025, o primeiro veículo comercial a pousar com sucesso na Lua, levando instrumentos científicos e tirando fotos de um eclipse solar direto da superfície lunar. 

A nova nave de transporte, chamada Elytra, fará uma viagem de 45 dias da Terra até a Lua. Ao chegar na órbita lunar, ela vai reduzir a velocidade a uma distância de 50 quilômetros acima do polo sul para liberar os quatro drones. Uma vez soltos no espaço, cada drone fará o seu pouso de forma 100% autônoma em pontos diferentes para cobrir a maior quantidade de área possível. 

Grandes desafios pela frente

Embora a ideia pareça incrível, os drones enfrentarão problemas técnicos imensos na Lua. Como a Lua não tem atmosfera, hélices comuns não funcionam. Para se mover e voar, eles precisam usar pequenos motores de foguete, o que gasta muito combustível e limita bastante o tempo de voo de cada um. 

Além disso, como o objetivo é justamente explorar o fundo das crateras escuras, os painéis solares tradicionais não servem para recarregar as baterias por lá. No fim das contas, a tecnologia terá que provar que é resistente o suficiente para aguentar um dos ambientes mais severos do Sistema Solar. 

Imagem |  NASA com Gemini

Texto traduzido e adaptado do Xataka Espanha. 

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